{"id":13265,"date":"2021-05-26T16:58:48","date_gmt":"2021-05-26T19:58:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinprofaz.org.br\/?p=13265"},"modified":"2021-05-27T09:41:19","modified_gmt":"2021-05-27T12:41:19","slug":"em-evento-da-serie-pfn-e-genero-antropologa-aborda-a-sobrecarga-feminina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/noticias\/em-evento-da-serie-pfn-e-genero-antropologa-aborda-a-sobrecarga-feminina\/","title":{"rendered":"EM EVENTO DA S\u00c9RIE &#8220;PFN E G\u00caNERO&#8221;, ANTROP\u00d3LOGA ABORDA A SOBRECARGA FEMININA"},"content":{"rendered":"<p>Carla Cristina Garcia foi uma das convidadas do projeto <em>PFN e G\u00eanero: Sensibiliza\u00e7\u00e3o, Conscientiza\u00e7\u00e3o e Di\u00e1logos<\/em>. A antrop\u00f3loga ministra aulas de Psicologia Social e Ci\u00eancias Sociais na PUC SP e orienta pesquisas na \u00e1rea de g\u00eanero. P\u00f3s-doutorada pelo Instituto Jos\u00e9 Maria Mora (M\u00e9xico\/DF), Carla Cristina Garcia \u00e9 autora de diversos livros, entre os quais a obra <em>Ovelhas na n\u00e9voa: um estudo sobre as mulheres e a loucura<\/em>, sorteada, na oportunidade do evento, pelo Grupo de Sa\u00fade Mental PFN SP. Ao p\u00fablico do webinar, a professora palestrou sobre <em>A Sa\u00fade Mental das Mulheres: loucas ou sobrecarregadas?<\/em> A exposi\u00e7\u00e3o foi acompanhada e comentada pela diretora do SINPROFAZ Val\u00e9ria Ferreira e pela filiada Beatriz Pereira, idealizadoras da s\u00e9rie de eventos realizados ao longo de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>Ao iniciar a palestra, Carla Cristina Garcia ressaltou a relev\u00e2ncia de projetos como o <em>PFN e G\u00eanero<\/em>. Para a professora, os debates promovidos significaram a continua\u00e7\u00e3o do trabalho de mulheres que, tanto na filosofia quanto no mundo pr\u00e1tico, discutiram quest\u00f5es como &#8220;os preconceitos sociais que colocaram as mulheres do lado daquilo que, ao longo dos s\u00e9culos, viemos a chamar de loucura e, os homens, do lado do que viemos a chamar de raz\u00e3o&#8221;. De acordo com Carla Cristina Garcia, o feminismo ocidental tem 300 anos de hist\u00f3ria. Ele nasceu com a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa e em fun\u00e7\u00e3o daquilo que o movimento n\u00e3o concedeu \u00e0s mulheres: liberdade, igualdade e fraternidade. Segundo a professora, \u00e0 \u00e9poca, tinha-se claro que n\u00e3o era poss\u00edvel pensar em mulheres e homens de forma ison\u00f4mica.<\/p>\n<p>A partir do s\u00e9culo XVIII, conforme ensinou Carla Cristina Garcia, definiu-se o lugar das revolucion\u00e1rias na sociedade. &#8220;As dissidentes tinham dois destinos b\u00e1sicos: a guilhotina ou o manic\u00f4mio.&#8221; J\u00e1 no s\u00e9culo XIX, a psiquiatria ampliou a no\u00e7\u00e3o da desraz\u00e3o feminina: estudos apontavam que as mulheres eram mais propensas \u00e0 &#8220;histeria&#8221;, cuja origem estava, supostamente, no \u00fatero. &#8220;Era como se o corpo feminino fosse a casa de todos os males, os quais n\u00e3o tinham qualquer rela\u00e7\u00e3o com a sociedade hiper repressiva.&#8221; Segundo a antrop\u00f3loga, acreditava-se que, pelo fraco discernimento que possu\u00eda, a mulher n\u00e3o era capaz de julgar algu\u00e9m. Assim, por natureza, n\u00e3o deveria ter qualquer rela\u00e7\u00e3o com a vida jur\u00eddica e pol\u00edtica do pa\u00eds: &#8220;O espa\u00e7o p\u00fablico da democracia era e continua sendo masculino&#8221;.<\/p>\n<p>De acordo com a palestrante, a &#8220;margem&#8221; que a mulher possui, na vida social, para exercer o pensamento e a autonomia \u00e9 muito mais estreita que a do homem. Segundo Carla Cristina Garcia, &#8220;andamos praticamente sobre uma linha de equilibrista. Qualquer conduta que ultrapasse os pap\u00e9is designados pela sociedade classista, racista e machista coloca imediatamente a mulher no lugar da desarrazoada, da desequilibrada&#8221;. Essa margem, conforme a professora, se estreita ainda mais se a mulher \u00e9 negra e pobre. Al\u00e9m disso, diferentemente dos homens, as mulheres n\u00e3o t\u00eam espa\u00e7o para &#8220;explodir&#8221;, para expressar raiva ou agressividade, o que as obriga a &#8220;implodir&#8221;: h\u00e1 muito mais mulheres sofrendo de depress\u00e3o e tomando ansiol\u00edticos do que homens, apontou a palestrante.<\/p>\n<p>Ao findar a exposi\u00e7\u00e3o, a professora abordou o tema da condi\u00e7\u00e3o da mulher na pandemia. Para Carla Cristina Garcia, a &#8220;dupla jornada&#8221; feminina e a sobrecarga da mulher s\u00e3o quest\u00f5es que se naturalizaram no mundo todo. Com o princ\u00edpio da industrializa\u00e7\u00e3o na cidade de S\u00e3o Paulo, segundo a antrop\u00f3loga, as mulheres passaram a compor a maior parte do proletariado nas tecelagens. Ainda que ocupassem esses postos no mundo privado do trabalho, continuavam respons\u00e1veis, de forma exclusiva, pelas tarefas tipicamente dom\u00e9sticas. &#8220;Essa realidade tem apenas 300 anos, isto \u00e9, nem sempre foi assim&#8221;, concluiu a palestrante, que completou: &#8220;A \u2018dupla presen\u00e7a\u2019, em casa e no trabalho, \u00e9 o motivo do nosso absoluto cansa\u00e7o f\u00edsico e mental. A pandemia escancarou esse fato&#8221;.<\/p>\n<p>Para assistir \u00e0 palestra completa, acesse <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=YrHrDwaLtkQ&amp;t=1163s\">bit.ly\/CarlaCristinaGarcia<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carla Cristina Garcia palestrou sobre &#8220;A Sa\u00fade Mental das Mulheres: loucas ou sobrecarregadas?&#8221;. 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P\u00f3s-doutorada pelo Instituto Jos\u00e9 Maria Mora (M\u00e9xico\/DF), Carla Cristina Garcia \u00e9 autora de diversos livros, entre os quais a obra <em>Ovelhas na n\u00e9voa: um estudo sobre as mulheres e a loucura<\/em>, sorteada, na oportunidade do evento, pelo Grupo de Sa\u00fade Mental PFN SP. Ao p\u00fablico do webinar, a professora palestrou sobre <em>A Sa\u00fade Mental das Mulheres: loucas ou sobrecarregadas?<\/em> A exposi\u00e7\u00e3o foi acompanhada e comentada pela diretora do SINPROFAZ Val\u00e9ria Ferreira e pela filiada Beatriz Pereira, idealizadoras da s\u00e9rie de eventos realizados ao longo de mar\u00e7o.\r\n\r\nAo iniciar a palestra, Carla Cristina Garcia ressaltou a relev\u00e2ncia de projetos como o <em>PFN e G\u00eanero<\/em>. Para a professora, os debates promovidos significaram a continua\u00e7\u00e3o do trabalho de mulheres que, tanto na filosofia quanto no mundo pr\u00e1tico, discutiram quest\u00f5es como \"os preconceitos sociais que colocaram as mulheres do lado daquilo que, ao longo dos s\u00e9culos, viemos a chamar de loucura e, os homens, do lado do que viemos a chamar de raz\u00e3o\". De acordo com Carla Cristina Garcia, o feminismo ocidental tem 300 anos de hist\u00f3ria. Ele nasceu com a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa e em fun\u00e7\u00e3o daquilo que o movimento n\u00e3o concedeu \u00e0s mulheres: liberdade, igualdade e fraternidade. 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Assim, por natureza, n\u00e3o deveria ter qualquer rela\u00e7\u00e3o com a vida jur\u00eddica e pol\u00edtica do pa\u00eds: \"O espa\u00e7o p\u00fablico da democracia era e continua sendo masculino\".\r\n\r\nDe acordo com a palestrante, a \"margem\" que a mulher possui, na vida social, para exercer o pensamento e a autonomia \u00e9 muito mais estreita que a do homem. Segundo Carla Cristina Garcia, \"andamos praticamente sobre uma linha de equilibrista. Qualquer conduta que ultrapasse os pap\u00e9is designados pela sociedade classista, racista e machista coloca imediatamente a mulher no lugar da desarrazoada, da desequilibrada\". Essa margem, conforme a professora, se estreita ainda mais se a mulher \u00e9 negra e pobre. Al\u00e9m disso, diferentemente dos homens, as mulheres n\u00e3o t\u00eam espa\u00e7o para \"explodir\", para expressar raiva ou agressividade, o que as obriga a \"implodir\": h\u00e1 muito mais mulheres sofrendo de depress\u00e3o e tomando ansiol\u00edticos do que homens, apontou a palestrante.\r\n\r\nAo findar a exposi\u00e7\u00e3o, a professora abordou o tema da condi\u00e7\u00e3o da mulher na pandemia. Para Carla Cristina Garcia, a \"dupla jornada\" feminina e a sobrecarga da mulher s\u00e3o quest\u00f5es que se naturalizaram no mundo todo. Com o princ\u00edpio da industrializa\u00e7\u00e3o na cidade de S\u00e3o Paulo, segundo a antrop\u00f3loga, as mulheres passaram a compor a maior parte do proletariado nas tecelagens. Ainda que ocupassem esses postos no mundo privado do trabalho, continuavam respons\u00e1veis, de forma exclusiva, pelas tarefas tipicamente dom\u00e9sticas. \"Essa realidade tem apenas 300 anos, isto \u00e9, nem sempre foi assim\", concluiu a palestrante, que completou: \"A \u2018dupla presen\u00e7a\u2019, em casa e no trabalho, \u00e9 o motivo do nosso absoluto cansa\u00e7o f\u00edsico e mental. A pandemia escancarou esse fato\".\r\n\r\nPara assistir \u00e0 palestra completa, acesse <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=YrHrDwaLtkQ&amp;t=1163s\">bit.ly\/CarlaCristinaGarcia<\/a>.","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13265"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13265"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13265\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13272,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13265\/revisions\/13272"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13266"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13265"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13265"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13265"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}