{"id":13255,"date":"2021-05-21T08:30:57","date_gmt":"2021-05-21T11:30:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinprofaz.org.br\/?p=13255"},"modified":"2021-05-21T09:10:25","modified_gmt":"2021-05-21T12:10:25","slug":"em-palestra-sobre-violencia-contra-a-mulher-filiada-destaca-questoes-de-raca-e-classe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/noticias\/em-palestra-sobre-violencia-contra-a-mulher-filiada-destaca-questoes-de-raca-e-classe\/","title":{"rendered":"EM PALESTRA SOBRE VIOL\u00caNCIA CONTRA A MULHER, FILIADA DESTACA QUEST\u00c3O DE RA\u00c7A E CLASSE"},"content":{"rendered":"<p>Fernanda Santiago \u00e9 cofundadora do grupo <em>PFNs de Todas as Cores<\/em> e l\u00edder de projeto do Comit\u00ea de Igualdade Racial do Grupo Mulheres do Brasil. Em palestra durante evento do M\u00eas <em>PFN e G\u00eanero: Sensibiliza\u00e7\u00e3o, Conscientiza\u00e7\u00e3o e Di\u00e1logos<\/em>, a filiada ao SINPROFAZ, mestranda da USP na \u00e1rea dos direitos humanos, ressaltou que a viol\u00eancia n\u00e3o afeta as mulheres de modo igual, haja vista a interseccionalidade de preconceitos: a ra\u00e7a e a classe s\u00e3o marcadores que elevam os n\u00fameros da viol\u00eancia para outro patamar. \u201cAl\u00e9m de suportar o preconceito de g\u00eanero e os estere\u00f3tipos, a mulher preta tamb\u00e9m lida com o racismo, que \u00e9 quest\u00e3o estrutural t\u00e3o enraizada quanto o machismo. Se a mulher \u00e9 preta e pobre, maior ainda ser\u00e1 a viol\u00eancia que ter\u00e1 de sustentar.&#8221;<\/p>\n<p>Ao iniciar a exposi\u00e7\u00e3o, Fernanda Santiago citou a escritora Grada Kilomba, segundo a qual a mulher \u00e9 &#8220;o outro do homem&#8221;, ao passo que a mulher negra \u00e9 &#8220;o outro do outro&#8221;. De acordo com a palestrante, &#8220;fazer refer\u00eancia \u00e0 mulher como &#8216;o outro&#8217; \u00e9 entender que ela est\u00e1 distante do par\u00e2metro representado pelo homem, cujos desejos a sociedade \u00e9 estruturada para atender&#8221;. Conforme a procuradora, entretanto, as quest\u00f5es de g\u00eanero nem sempre alcan\u00e7am as mulheres negras, que n\u00e3o est\u00e3o inclu\u00eddas em todas as demandas das mulheres brancas. &#8220;No per\u00edodo da escraviza\u00e7\u00e3o, a mulher preta sofria viol\u00eancia sexual diariamente. O corpo dela n\u00e3o pertencia ao marido, como acontecia com a mulher branca, mas a todas as pessoas que estavam hierarquicamente acima dela.&#8221;<\/p>\n<p>Seguindo com a abordagem hist\u00f3rica, Fernanda Santiago lembrou o fato de que, findo o per\u00edodo da escravid\u00e3o, as mulheres negras passaram a trabalhar nas &#8220;casas de fam\u00edlia&#8221;, onde seus corpos continuaram sendo violados. &#8220;Isso ainda hoje \u00e9 tratado com muita naturalidade em novelas e filmes nos quais o jovem enxerga o corpo da mulher preta, servi\u00e7al, como o corpo com que ele pode iniciar a vida sexual&#8221;, ressaltou a palestrante, que abordou ainda a quest\u00e3o da hipersexualiza\u00e7\u00e3o da mulher negra, v\u00edtima do tr\u00e1fico de pessoas para prostitui\u00e7\u00e3o &#8211; crime invis\u00edvel, segundo a procuradora. De acordo com a filiada, todos esses estere\u00f3tipos comp\u00f5em o racismo estrutural e refletem nos n\u00fameros relativos \u00e0 viol\u00eancia: em 2018, 68% das v\u00edtimas de feminic\u00eddio eram negras.<\/p>\n<p>Para a revers\u00e3o do racismo, conforme Fernanda Santiago, costuma-se falar em mais representatividade &#8211; mas isso n\u00e3o \u00e9 simples, afirmou a procuradora, pois existe uma viol\u00eancia pol\u00edtica contra a mulher negra. &#8220;Quando ela tenta entrar no ambiente decis\u00f3rio, o sistema resiste de todas as formas. Os ataques virtuais contra as mulheres pretas eleitas em 2020 foram not\u00f3rios. Perante as institui\u00e7\u00f5es, no entanto, os problemas enfrentados pela mulher preta s\u00e3o menos graves&#8221;, destacou, fazendo refer\u00eancia \u00e0 &#8220;falta de empatia&#8221; do Judici\u00e1rio apontada pelo pr\u00f3prio Conselho Nacional de Justi\u00e7a. Para Fernanda Santiago, somente a partir da conscientiza\u00e7\u00e3o acerca do racismo estrutural e institucional, ser\u00e3o elaboradas pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 quest\u00e3o da discrimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Acesse o YouTube e assista \u00e0 palestra completa: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=-aYaCbHzglk\">bit.ly\/FernandaSantiago<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em evento do projeto &#8220;PFN e G\u00eanero: Sensibiliza\u00e7\u00e3o, Conscientiza\u00e7\u00e3o e Di\u00e1logos&#8221;, a filiada Fernanda Santiago ressaltou que a viol\u00eancia n\u00e3o afeta as mulheres de modo igual, haja vista a interseccionalidade de preconceitos.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13256,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[32,166,25],"featured_image_url":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Fernanda-Santiago.jpg","character_count":1662,"formatted_date":"21\/05\/2021 - 08:30","contentNovo":"Fernanda Santiago \u00e9 cofundadora do grupo <em>PFNs de Todas as Cores<\/em> e l\u00edder de projeto do Comit\u00ea de Igualdade Racial do Grupo Mulheres do Brasil. Em palestra durante evento do M\u00eas <em>PFN e G\u00eanero: Sensibiliza\u00e7\u00e3o, Conscientiza\u00e7\u00e3o e Di\u00e1logos<\/em>, a filiada ao SINPROFAZ, mestranda da USP na \u00e1rea dos direitos humanos, ressaltou que a viol\u00eancia n\u00e3o afeta as mulheres de modo igual, haja vista a interseccionalidade de preconceitos: a ra\u00e7a e a classe s\u00e3o marcadores que elevam os n\u00fameros da viol\u00eancia para outro patamar. \u201cAl\u00e9m de suportar o preconceito de g\u00eanero e os estere\u00f3tipos, a mulher preta tamb\u00e9m lida com o racismo, que \u00e9 quest\u00e3o estrutural t\u00e3o enraizada quanto o machismo. Se a mulher \u00e9 preta e pobre, maior ainda ser\u00e1 a viol\u00eancia que ter\u00e1 de sustentar.\"\r\n\r\nAo iniciar a exposi\u00e7\u00e3o, Fernanda Santiago citou a escritora Grada Kilomba, segundo a qual a mulher \u00e9 \"o outro do homem\", ao passo que a mulher negra \u00e9 \"o outro do outro\". De acordo com a palestrante, \"fazer refer\u00eancia \u00e0 mulher como 'o outro' \u00e9 entender que ela est\u00e1 distante do par\u00e2metro representado pelo homem, cujos desejos a sociedade \u00e9 estruturada para atender\". Conforme a procuradora, entretanto, as quest\u00f5es de g\u00eanero nem sempre alcan\u00e7am as mulheres negras, que n\u00e3o est\u00e3o inclu\u00eddas em todas as demandas das mulheres brancas. \"No per\u00edodo da escraviza\u00e7\u00e3o, a mulher preta sofria viol\u00eancia sexual diariamente. 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De acordo com a filiada, todos esses estere\u00f3tipos comp\u00f5em o racismo estrutural e refletem nos n\u00fameros relativos \u00e0 viol\u00eancia: em 2018, 68% das v\u00edtimas de feminic\u00eddio eram negras.\r\n\r\nPara a revers\u00e3o do racismo, conforme Fernanda Santiago, costuma-se falar em mais representatividade - mas isso n\u00e3o \u00e9 simples, afirmou a procuradora, pois existe uma viol\u00eancia pol\u00edtica contra a mulher negra. \"Quando ela tenta entrar no ambiente decis\u00f3rio, o sistema resiste de todas as formas. Os ataques virtuais contra as mulheres pretas eleitas em 2020 foram not\u00f3rios. Perante as institui\u00e7\u00f5es, no entanto, os problemas enfrentados pela mulher preta s\u00e3o menos graves\", destacou, fazendo refer\u00eancia \u00e0 \"falta de empatia\" do Judici\u00e1rio apontada pelo pr\u00f3prio Conselho Nacional de Justi\u00e7a. Para Fernanda Santiago, somente a partir da conscientiza\u00e7\u00e3o acerca do racismo estrutural e institucional, ser\u00e3o elaboradas pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 quest\u00e3o da discrimina\u00e7\u00e3o.\r\n\r\nAcesse o YouTube e assista \u00e0 palestra completa: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=-aYaCbHzglk\">bit.ly\/FernandaSantiago<\/a>.","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13255"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13255"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13255\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13259,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13255\/revisions\/13259"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13256"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13255"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13255"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13255"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}