{"id":13128,"date":"2021-04-29T08:19:41","date_gmt":"2021-04-29T11:19:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinprofaz.org.br\/?p=13128"},"modified":"2021-04-29T08:19:41","modified_gmt":"2021-04-29T11:19:41","slug":"psicodinamica-entre-agressor-e-vitima-e-tema-da-palestra-de-psicologa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/noticias\/psicodinamica-entre-agressor-e-vitima-e-tema-da-palestra-de-psicologa\/","title":{"rendered":"PSICODIN\u00c2MICA ENTRE AGRESSOR E V\u00cdTIMA \u00c9 TEMA DA PALESTRA DE PSIC\u00d3LOGA"},"content":{"rendered":"<p>Coordenadora e professora de cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na Santa Casa de S\u00e3o Paulo e no Hospital S\u00edrio-Liban\u00eas, Fl\u00e1via Fusco \u00e9 mestra em Psiquiatria e Psicologia M\u00e9dica. Convidada pelo SINPROFAZ para integrar os debates do projeto <em>PFN e G\u00eanero: Sensibiliza\u00e7\u00e3o, Conscientiza\u00e7\u00e3o e Di\u00e1logos<\/em>, a psic\u00f3loga palestrou sobre o tema <em>Viol\u00eancia contra as Mulheres: a banaliza\u00e7\u00e3o do mal<\/em>. Entre as informa\u00e7\u00f5es que compartilhou com a Carreira, esteve a ideia, comum e equivocada, de que o homem que agride possui um transtorno mental: &#8220;Nos agressores, verificamos caracter\u00edsticas como impulsividade e baixa toler\u00e2ncia a frustra\u00e7\u00f5es. Qualquer pessoa, no entanto, pode possuir essas caracter\u00edsticas, o que n\u00e3o faz dela uma abusadora necessariamente&#8221;.<\/p>\n<p>Para a psic\u00f3loga, tratar a viol\u00eancia como patologia \u00e9 consider\u00e1-la um problema individual e particular &#8211; no qual n\u00e3o se deve &#8220;meter a colher&#8221; &#8211; e dissociado de uma estrutura, isto \u00e9, dos aspectos hist\u00f3ricos, culturais e sociais intr\u00ednsecos a ela. Levando em conta que o tratamento de patologias, como um transtorno depressivo ou de ansiedade, combina medicamentos e psicoterapia, &#8220;se a viol\u00eancia fosse pensada sob o vi\u00e9s psicopatol\u00f3gico, bastaria um rem\u00e9dio para faz\u00ea-la parar&#8221;, concluiu Fl\u00e1via Fusco. Sem uma interven\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito jur\u00eddico ou da sa\u00fade, por\u00e9m, o ciclo da viol\u00eancia contra a mulher tende a se agravar, como alertou a psic\u00f3loga: &#8220;N\u00e3o me lembro de um caso sequer em que a viol\u00eancia tenha cessado de livre e espont\u00e2nea vontade&#8221;.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia psicol\u00f3gica pode ser definida como toda a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o, verbal ou gestual, que causa ou visa causar dano \u00e0 autoestima, \u00e0 identidade ou ao desenvolvimento da pessoa agredida. De acordo com Fl\u00e1via Fusco, essa viol\u00eancia inclui insultos, humilha\u00e7\u00e3o, desvaloriza\u00e7\u00e3o, chantagem, manipula\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o, amea\u00e7a, imposi\u00e7\u00e3o de isolamento dos amigos e familiares e priva\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria da liberdade, como o impedimento de trabalhar, estudar e cuidar da pr\u00f3pria apar\u00eancia. &#8220;A viol\u00eancia psicol\u00f3gica tende a se arrastar por anos, porque muitas vezes a pr\u00f3pria mulher tem dificuldade de entender que est\u00e1 sendo v\u00edtima. Por n\u00e3o deixar marcas f\u00edsicas, essa viol\u00eancia pode ser a mais sutil e perversa, pois a pr\u00f3pria sociedade pode acabar n\u00e3o a reconhecendo&#8221;, explicou a expositora.<\/p>\n<p>\u00c0 Carreira, a psic\u00f3loga destacou o equ\u00edvoco da ideia de que, para sair do ciclo de agress\u00f5es, basta \u00e0 mulher pedir ajuda. Segundo Fl\u00e1via Fusco, &#8220;a viol\u00eancia corr\u00f3i o estado emocional da v\u00edtima, que vai perdendo a capacidade de rea\u00e7\u00e3o&#8221;. A mulher agredida, conforme ensinou a palestrante, tende a normalizar a situa\u00e7\u00e3o, considerando-a um &#8220;padr\u00e3o razo\u00e1vel&#8221;. Apesar da tentativa de normaliza\u00e7\u00e3o, as v\u00edtimas carregam sentimentos de vergonha e culpa que refletem em rea\u00e7\u00f5es ambivalentes, como o desejo de separa\u00e7\u00e3o e a posterior desist\u00eancia, a den\u00fancia e o posterior arrependimento. &#8220;A ambival\u00eancia n\u00e3o quer dizer que a mulher &#8216;n\u00e3o sabe o que quer&#8217; ou que mente, mas acaba afastando sua rede de prote\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o compreende a ambival\u00eancia como consequ\u00eancia da viol\u00eancia.&#8221;<\/p>\n<p>Para encerrar a exposi\u00e7\u00e3o, Fl\u00e1via Fusco abordou a quest\u00e3o do perfil do abusador e da urg\u00eancia em desmistific\u00e1-lo. Com exemplos de experi\u00eancias vividas no atendimento profissional a agressores e v\u00edtimas, a psic\u00f3loga demonstrou que os abusadores n\u00e3o s\u00e3o necessariamente homens agressivos, que se parecem com monstros ou que d\u00e3o medo. De acordo com a palestrante, essa concep\u00e7\u00e3o motiva associa\u00e7\u00f5es incorretas que colocam em xeque a palavra da v\u00edtima. &#8220;Mas ele \u00e9 t\u00e3o trabalhador, ele \u00e9 t\u00e3o bom pai, ele \u00e9 t\u00e3o rom\u00e2ntico. Ser\u00e1 mesmo que ele praticou essa viol\u00eancia?&#8221;, exemplificou Fl\u00e1via Fusco. Para a psic\u00f3loga, a tarefa que cabe a todos e a todas \u00e9 a de ter mais aten\u00e7\u00e3o aos pr\u00f3prios julgamentos e oferecer \u00e0s v\u00edtimas que pedem ajuda uma escuta mais aberta e qualificada.<\/p>\n<p>Confira em <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Fqy1m9mGKSI\">bit.ly\/FlaviaFusco<\/a> a \u00edntegra da palestra!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fl\u00e1via Fusco \u00e9 mestra em Psiquiatria e Psicologia M\u00e9dica. 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Convidada pelo SINPROFAZ para integrar os debates do projeto <em>PFN e G\u00eanero: Sensibiliza\u00e7\u00e3o, Conscientiza\u00e7\u00e3o e Di\u00e1logos<\/em>, a psic\u00f3loga palestrou sobre o tema <em>Viol\u00eancia contra as Mulheres: a banaliza\u00e7\u00e3o do mal<\/em>. Entre as informa\u00e7\u00f5es que compartilhou com a Carreira, esteve a ideia, comum e equivocada, de que o homem que agride possui um transtorno mental: \"Nos agressores, verificamos caracter\u00edsticas como impulsividade e baixa toler\u00e2ncia a frustra\u00e7\u00f5es. Qualquer pessoa, no entanto, pode possuir essas caracter\u00edsticas, o que n\u00e3o faz dela uma abusadora necessariamente\".\r\n\r\nPara a psic\u00f3loga, tratar a viol\u00eancia como patologia \u00e9 consider\u00e1-la um problema individual e particular - no qual n\u00e3o se deve \"meter a colher\" - e dissociado de uma estrutura, isto \u00e9, dos aspectos hist\u00f3ricos, culturais e sociais intr\u00ednsecos a ela. Levando em conta que o tratamento de patologias, como um transtorno depressivo ou de ansiedade, combina medicamentos e psicoterapia, \"se a viol\u00eancia fosse pensada sob o vi\u00e9s psicopatol\u00f3gico, bastaria um rem\u00e9dio para faz\u00ea-la parar\", concluiu Fl\u00e1via Fusco. Sem uma interven\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito jur\u00eddico ou da sa\u00fade, por\u00e9m, o ciclo da viol\u00eancia contra a mulher tende a se agravar, como alertou a psic\u00f3loga: \"N\u00e3o me lembro de um caso sequer em que a viol\u00eancia tenha cessado de livre e espont\u00e2nea vontade\".\r\n\r\nA viol\u00eancia psicol\u00f3gica pode ser definida como toda a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o, verbal ou gestual, que causa ou visa causar dano \u00e0 autoestima, \u00e0 identidade ou ao desenvolvimento da pessoa agredida. De acordo com Fl\u00e1via Fusco, essa viol\u00eancia inclui insultos, humilha\u00e7\u00e3o, desvaloriza\u00e7\u00e3o, chantagem, manipula\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o, amea\u00e7a, imposi\u00e7\u00e3o de isolamento dos amigos e familiares e priva\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria da liberdade, como o impedimento de trabalhar, estudar e cuidar da pr\u00f3pria apar\u00eancia. \"A viol\u00eancia psicol\u00f3gica tende a se arrastar por anos, porque muitas vezes a pr\u00f3pria mulher tem dificuldade de entender que est\u00e1 sendo v\u00edtima. Por n\u00e3o deixar marcas f\u00edsicas, essa viol\u00eancia pode ser a mais sutil e perversa, pois a pr\u00f3pria sociedade pode acabar n\u00e3o a reconhecendo\", explicou a expositora.\r\n\r\n\u00c0 Carreira, a psic\u00f3loga destacou o equ\u00edvoco da ideia de que, para sair do ciclo de agress\u00f5es, basta \u00e0 mulher pedir ajuda. Segundo Fl\u00e1via Fusco, \"a viol\u00eancia corr\u00f3i o estado emocional da v\u00edtima, que vai perdendo a capacidade de rea\u00e7\u00e3o\". A mulher agredida, conforme ensinou a palestrante, tende a normalizar a situa\u00e7\u00e3o, considerando-a um \"padr\u00e3o razo\u00e1vel\". Apesar da tentativa de normaliza\u00e7\u00e3o, as v\u00edtimas carregam sentimentos de vergonha e culpa que refletem em rea\u00e7\u00f5es ambivalentes, como o desejo de separa\u00e7\u00e3o e a posterior desist\u00eancia, a den\u00fancia e o posterior arrependimento. \"A ambival\u00eancia n\u00e3o quer dizer que a mulher 'n\u00e3o sabe o que quer' ou que mente, mas acaba afastando sua rede de prote\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o compreende a ambival\u00eancia como consequ\u00eancia da viol\u00eancia.\"\r\n\r\nPara encerrar a exposi\u00e7\u00e3o, Fl\u00e1via Fusco abordou a quest\u00e3o do perfil do abusador e da urg\u00eancia em desmistific\u00e1-lo. Com exemplos de experi\u00eancias vividas no atendimento profissional a agressores e v\u00edtimas, a psic\u00f3loga demonstrou que os abusadores n\u00e3o s\u00e3o necessariamente homens agressivos, que se parecem com monstros ou que d\u00e3o medo. De acordo com a palestrante, essa concep\u00e7\u00e3o motiva associa\u00e7\u00f5es incorretas que colocam em xeque a palavra da v\u00edtima. \"Mas ele \u00e9 t\u00e3o trabalhador, ele \u00e9 t\u00e3o bom pai, ele \u00e9 t\u00e3o rom\u00e2ntico. Ser\u00e1 mesmo que ele praticou essa viol\u00eancia?\", exemplificou Fl\u00e1via Fusco. Para a psic\u00f3loga, a tarefa que cabe a todos e a todas \u00e9 a de ter mais aten\u00e7\u00e3o aos pr\u00f3prios julgamentos e oferecer \u00e0s v\u00edtimas que pedem ajuda uma escuta mais aberta e qualificada.\r\n\r\nConfira em <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Fqy1m9mGKSI\">bit.ly\/FlaviaFusco<\/a> a \u00edntegra da palestra!","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13128"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13128"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13128\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13130,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13128\/revisions\/13130"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13129"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13128"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13128"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13128"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}