{"id":13044,"date":"2021-04-01T08:27:40","date_gmt":"2021-04-01T11:27:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinprofaz.org.br\/?p=13044"},"modified":"2021-04-05T09:13:14","modified_gmt":"2021-04-05T12:13:14","slug":"interseccionalidade-entre-genero-classe-e-etnia-e-tema-da-palestra-de-eunice-prudente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/noticias\/interseccionalidade-entre-genero-classe-e-etnia-e-tema-da-palestra-de-eunice-prudente\/","title":{"rendered":"INTERSECCIONALIDADE ENTRE G\u00caNERO, CLASSE E ETNIA \u00c9 TEMA DA PALESTRA DE EUNICE PRUDENTE"},"content":{"rendered":"<p>Entre as palestrantes convidadas para o Webinar de Abertura do projeto <em>PFN e G\u00eanero: Sensibiliza\u00e7\u00e3o, Conscientiza\u00e7\u00e3o e Di\u00e1logos<\/em>, promovido pelo SINPROFAZ no dia 1\u00ba de mar\u00e7o, esteve Eunice Prudente. Secret\u00e1ria municipal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo\/SP, ela \u00e9 a primeira professora negra da Faculdade de Direito da USP. Tem a vida dedicada ao combate \u00e0 desigualdade racial e, j\u00e1 na d\u00e9cada de 1980, discutia o tema do racismo estrutural. Ao iniciar a exposi\u00e7\u00e3o, Eunice Prudente deu destaque \u00e0 import\u00e2ncia da interseccionalidade entre quest\u00f5es de g\u00eanero, etnia e classe social e falou sobre o feminismo, cujas conquistas v\u00e3o al\u00e9m dos direitos sociais das mulheres, incluindo, entre outros, a cria\u00e7\u00e3o da licen\u00e7a-paternidade.<\/p>\n<p>De acordo com a professora, a educa\u00e7\u00e3o em direitos faz muita falta em nossa sociedade. Quando se trata dos cursos de Direito, a quest\u00e3o da percep\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as ainda n\u00e3o est\u00e1 presente, o que, para Eunice Prudente, \u00e9 muito preocupante. &#8220;H\u00e1 diferen\u00e7as biol\u00f3gicas, culturais, \u00e9tnicas e o profissional do Direito precisa ter muito clara essa percep\u00e7\u00e3o, pois as diferen\u00e7as exigem respeitabilidade e aceita\u00e7\u00e3o e n\u00e3o expressam superioridade de quem quer que seja. A desigualdade precisa ser devidamente enfrentada pois representa uma rela\u00e7\u00e3o de domina\u00e7\u00e3o, de explora\u00e7\u00e3o&#8221;, explicou. Conforme a professora, o desrespeito ao diferente torna necess\u00e1rio que o protagonismo negro e amer\u00edndio na hist\u00f3ria do Brasil seja &#8220;devidamente contado e recontado&#8221;.<\/p>\n<p>Eunice Prudente discorreu a respeito da ideologia presente no pr\u00f3prio dicion\u00e1rio da l\u00edngua portuguesa quando faz refer\u00eancia ao homem e \u00e0 mulher \u2013 ideologia que tem consequ\u00eancias sobre a forma\u00e7\u00e3o cultural do povo. &#8220;H\u00e1 v\u00e1rias chamadas em nosso dicion\u00e1rio que se referem \u00e0 mulher com o sentido negativo de meretriz: mulher \u00e0 toa, mulher da rua, mulher da vida. Para o Direito, as consequ\u00eancias disso s\u00e3o impressionantes: no caso dos crimes contra os costumes, havia a exig\u00eancia de que a v\u00edtima fosse uma &#8216;mulher honesta&#8217;, o que, no dicion\u00e1rio, \u00e9 definido como &#8216;mulher casada e fiel ao marido, s\u00e9ria, de reputa\u00e7\u00e3o ilibada&#8217;.&#8221; A professora ressalta ainda que &#8220;Enquanto o &#8216;homem da rua&#8217; \u00e9 o homem do povo, a &#8216;mulher da rua&#8217; \u00e9 a meretriz. O mesmo sentido tem a &#8216;mulher p\u00fablica&#8217;, enquanto o &#8216;homem p\u00fablico&#8217; \u00e9 o estadista&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo Eunice Prudente, no Brasil, ainda convivemos com pap\u00e9is sociais caracter\u00edsticos do s\u00e9culo XIX, em que, por exemplo, o homem branco era educado para a dire\u00e7\u00e3o da sociedade, para o poder. &#8220;J\u00e1 o homem negro \u00e9 a criatura subserviente, com um n\u00edvel de humildade que n\u00e3o existe, ou \u00e9 um ser violento e perigoso.&#8221; No caso das mulheres, tamb\u00e9m se leva em conta a quest\u00e3o racial: o papel da mulher branca, de acordo com a professora, &#8220;\u00e9 procriar os dirigentes da sociedade \u2013 portanto, embora ainda seja uma &#8216;auxiliar&#8217;, ela usufrui de certos cuidados. J\u00e1 a mulher negra ou \u00e9 a criatura subserviente e absurdamente humildade, ou \u00e9 aquela sedutora e perigosa. Tudo isso \u00e9 resqu\u00edcio de um passado que precisa ser melhor desvendado por todos n\u00f3s&#8221;.<\/p>\n<p>Para assistir \u00e0 \u00edntegra da palestra, acesse <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=I8TXiLpdnOY\">bit.ly\/EunicePrudente<\/a>.<br \/>\nA apresenta\u00e7\u00e3o da professora est\u00e1 dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/www.sinprofaz.org.br\/pdfs\/dra-eunice-prudente-genero-e-etnia.pdf\">bit.ly\/ApresentacaoEunicePrudente<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre as convidadas para o Webinar de Abertura do projeto &#8220;PFN e G\u00eanero&#8221;, promovido em 1\u00ba de mar\u00e7o, esteve Eunice Prudente. 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Tem a vida dedicada ao combate \u00e0 desigualdade racial e, j\u00e1 na d\u00e9cada de 1980, discutia o tema do racismo estrutural. Ao iniciar a exposi\u00e7\u00e3o, Eunice Prudente deu destaque \u00e0 import\u00e2ncia da interseccionalidade entre quest\u00f5es de g\u00eanero, etnia e classe social e falou sobre o feminismo, cujas conquistas v\u00e3o al\u00e9m dos direitos sociais das mulheres, incluindo, entre outros, a cria\u00e7\u00e3o da licen\u00e7a-paternidade.\r\n\r\nDe acordo com a professora, a educa\u00e7\u00e3o em direitos faz muita falta em nossa sociedade. Quando se trata dos cursos de Direito, a quest\u00e3o da percep\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as ainda n\u00e3o est\u00e1 presente, o que, para Eunice Prudente, \u00e9 muito preocupante. \"H\u00e1 diferen\u00e7as biol\u00f3gicas, culturais, \u00e9tnicas e o profissional do Direito precisa ter muito clara essa percep\u00e7\u00e3o, pois as diferen\u00e7as exigem respeitabilidade e aceita\u00e7\u00e3o e n\u00e3o expressam superioridade de quem quer que seja. A desigualdade precisa ser devidamente enfrentada pois representa uma rela\u00e7\u00e3o de domina\u00e7\u00e3o, de explora\u00e7\u00e3o\", explicou. Conforme a professora, o desrespeito ao diferente torna necess\u00e1rio que o protagonismo negro e amer\u00edndio na hist\u00f3ria do Brasil seja \"devidamente contado e recontado\".\r\n\r\nEunice Prudente discorreu a respeito da ideologia presente no pr\u00f3prio dicion\u00e1rio da l\u00edngua portuguesa quando faz refer\u00eancia ao homem e \u00e0 mulher \u2013 ideologia que tem consequ\u00eancias sobre a forma\u00e7\u00e3o cultural do povo. \"H\u00e1 v\u00e1rias chamadas em nosso dicion\u00e1rio que se referem \u00e0 mulher com o sentido negativo de meretriz: mulher \u00e0 toa, mulher da rua, mulher da vida. Para o Direito, as consequ\u00eancias disso s\u00e3o impressionantes: no caso dos crimes contra os costumes, havia a exig\u00eancia de que a v\u00edtima fosse uma 'mulher honesta', o que, no dicion\u00e1rio, \u00e9 definido como 'mulher casada e fiel ao marido, s\u00e9ria, de reputa\u00e7\u00e3o ilibada'.\" A professora ressalta ainda que \"Enquanto o 'homem da rua' \u00e9 o homem do povo, a 'mulher da rua' \u00e9 a meretriz. O mesmo sentido tem a 'mulher p\u00fablica', enquanto o 'homem p\u00fablico' \u00e9 o estadista\".\r\n\r\nSegundo Eunice Prudente, no Brasil, ainda convivemos com pap\u00e9is sociais caracter\u00edsticos do s\u00e9culo XIX, em que, por exemplo, o homem branco era educado para a dire\u00e7\u00e3o da sociedade, para o poder. \"J\u00e1 o homem negro \u00e9 a criatura subserviente, com um n\u00edvel de humildade que n\u00e3o existe, ou \u00e9 um ser violento e perigoso.\" No caso das mulheres, tamb\u00e9m se leva em conta a quest\u00e3o racial: o papel da mulher branca, de acordo com a professora, \"\u00e9 procriar os dirigentes da sociedade \u2013 portanto, embora ainda seja uma 'auxiliar', ela usufrui de certos cuidados. J\u00e1 a mulher negra ou \u00e9 a criatura subserviente e absurdamente humildade, ou \u00e9 aquela sedutora e perigosa. Tudo isso \u00e9 resqu\u00edcio de um passado que precisa ser melhor desvendado por todos n\u00f3s\".\r\n\r\nPara assistir \u00e0 \u00edntegra da palestra, acesse <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=I8TXiLpdnOY\">bit.ly\/EunicePrudente<\/a>.\r\nA apresenta\u00e7\u00e3o da professora est\u00e1 dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/www.sinprofaz.org.br\/pdfs\/dra-eunice-prudente-genero-e-etnia.pdf\">bit.ly\/ApresentacaoEunicePrudente<\/a>.","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13044"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13044"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13044\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13053,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13044\/revisions\/13053"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13045"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13044"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13044"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13044"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}