{"id":1293,"date":"2013-05-08T13:52:30","date_gmt":"2013-05-08T13:52:30","guid":{"rendered":""},"modified":"2016-03-28T13:36:44","modified_gmt":"2016-03-28T13:36:44","slug":"eleito-tem-disciplina-de-engenheiro-e-perfil-conciliador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/clipping\/eleito-tem-disciplina-de-engenheiro-e-perfil-conciliador\/","title":{"rendered":"Eleito tem disciplina de engenheiro e perfil conciliador"},"content":{"rendered":"<p class=\"intro\">Por Sergio Leo e Marta Watanabe | De Bras\u00edlia e S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>Engenheiro eletr\u00f4nico, formado pela Universidade de Bras\u00edlia (UnB), o baiano Roberto Azev\u00eado poderia estar hoje envolvido na constru\u00e7\u00e3o das hidrel\u00e9tricas amaz\u00f4nicas do governo Dilma Rousseff. Em 1982, trabalhava para uma consultora, Themag, no c\u00e1lculo de pot\u00eancias das grandes barragens da \u00e9poca. \u00c9 casado com Maria Nazareth Farani Azev\u00eado, que conheceu quando davam aulas de ingl\u00eas, na Casa Thomas Jefferson, em Bras\u00edlia. Maria Nazareth decidiu fazer diplomacia e Azev\u00eado resolveu acompanh\u00e1-la, mesmo sem falar o franc\u00eas exigido nos testes para o Instituto Rio Branco. Estudou com a mulher e passou na primeira tentativa, em 1983.<\/p>\n<p>At\u00e9 hoje, com amigos, o novo diretor-geral da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC), quando lembra o come\u00e7o da carreira, brinca que se tornou diplomata &#8220;por amor&#8221;. J\u00e1 ao mundo da diplomacia comercial ele chegou pela disciplina de engenheiro. Ao ser transferido para Genebra, em 1997, cuidava, a princ\u00edpio, de arquivos, tarefa burocr\u00e1tica reservada aos novatos da delega\u00e7\u00e3o; em 2001, por\u00e9m, impressionou o ent\u00e3o embaixador, Celso Amorim, ao participar de reuni\u00f5es com advogados encarregados do lit\u00edgio entre Brasil e Canad\u00e1, na disputa entre as empresas Bombardier e Embraer. Dedicado ao tema de subs\u00eddios, Azev\u00eado havia estudado detalhadamente as regras da OMC sobre o assunto e trouxe para as discuss\u00f5es propostas que se revelaram fundamentais na briga com o Canad\u00e1. Passou, a seguir, a ser chamado para opinar em outros casos e, ainda em 2001, quando o Brasil resolveu criar uma coordena\u00e7\u00e3o-geral exclusivamente para tratar das disputas comerciais, o conselheiro Roberto Azev\u00eado, foi nomeado para o posto, para o qual havia se pensado em um embaixador.<\/p>\n<p>Em 2004, em meio \u00e0 discuss\u00e3o sobre a forma\u00e7\u00e3o da \u00c1rea de Livre Com\u00e9rcio das Am\u00e9ricas (Alca), Amorim, j\u00e1 ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, designou Azev\u00eado para o time de negociadores brasileiros. Da discuss\u00e3o sobre a Alca, que acabou em impasse, ele foi para a chefia do departamento econ\u00f4mico, e passou a comandar a delega\u00e7\u00e3o brasileira nas negocia\u00e7\u00f5es da Rodada Doha, de liberaliza\u00e7\u00e3o comercial na OMC, que, agora, como diretor-geral da organiza\u00e7\u00e3o, ter\u00e1 a tarefa de levar a algum resultado. Durante a campanha para a dire\u00e7\u00e3o da OMC, um amigo, em Bras\u00edlia, chegou a propor, em tom de brincadeira, que o Brasil reivindicasse dos candidatos testes de aptid\u00e3o f\u00edsica. Integrante, quando adolescente, da equipe brasileira de nata\u00e7\u00e3o, Azev\u00eado \u00e9 esportista e chegou a ter, aos 12 anos, o terceiro melhor tempo do Brasil. Jogador de t\u00eanis como a esposa, hoje joga futebol aos fins de semana.<\/p>\n<p>O novo diretor-geral da OMC conseguiu um feito raro na diplomacia, em suas passagens por Bras\u00edlia e Genebra: \u00e9 elogiado por todos com quem trabalhou, e, aparentemente, n\u00e3o tem desafetos. Discreto, \u00e9 estimado pelos diversos grupos pol\u00edticos no Itamaraty e elogiado at\u00e9 por autoridades com quem sentou em lados opostos em contenciosos internacionais, como o ex-representante comercial da Casa Branca (USTR, em ingl\u00eas), Ron Kirk. &#8220;\u00c9 um excelente diplomata, gosto muito dele&#8221;, disse Kirk ao Valor, em Davos, em janeiro. &#8220;Um engenheiro veio mostrar que n\u00e3o precisamos de advogados&#8221;, graceja o ex-presidente do \u00d3rg\u00e3o de Apela\u00e7\u00e3o da OMC, Luiz Olavo Baptista, que conta ter ouvido esse coment\u00e1rio de uma autoridade em Genebra. O advogado brasileiro se diz impressionado com a atua\u00e7\u00e3o do diplomata. &#8220;Em v\u00e1rios casos demonstrou l\u00f3gica, capacidade de exposi\u00e7\u00e3o e profissionalismo; atuava melhor que 80% dos advogados&#8221;, diz Baptista.<\/p>\n<p>Azev\u00eado \u00e9 visto por diplomatas de outros pa\u00edses como negociador leal e honestamente dedicado a encontrar solu\u00e7\u00f5es. Na prepara\u00e7\u00e3o para a confer\u00eancia ministerial da OMC, em Bali, no fim deste ano, o diplomata \u00e9 um dos principais formuladores da proposta que deve permitir, na reuni\u00e3o, uma &#8220;colheita antecipada&#8221; de resultados, com acordos parciais em temas como redu\u00e7\u00e3o de barreiras t\u00e9cnicas e burocr\u00e1ticas ao com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>&#8220;Roberto foi treinado para ser diplomata, aquele que entende os dois lados&#8221;, define a economista Vera Thorstensen, ex-assessora da miss\u00e3o brasileira em Genebra. &#8220;At\u00e9 mesmo nos pain\u00e9is [de arbitragem na OMC], todos falavam dele por conta disso: ele realmente tenta entender a situa\u00e7\u00e3o de cada envolvido e \u00e9 capaz de construir pontes.&#8221;<\/p>\n<p>Azev\u00eado montou sua campanha com o argumento de que, ao conhecer os detalhes das negocia\u00e7\u00f5es passadas, inclusive as personalidades dos negociadores, estaria mais preparado para negociar a supera\u00e7\u00e3o de impasses, no momento em que se formam in\u00fameros acordos \u00e0 margem da OMC. &#8220;O resgate da Rodada Doha n\u00e3o depende dele, mas ele pode atuar de forma conciliadora, fazendo com que as partes apresentem novas f\u00f3rmulas para levar a discuss\u00e3o \u00e0 frente&#8221;, acredita o embaixador Rubens Barbosa, presidente do Conselho Superior de Com\u00e9rcio Exterior da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo (Fiesp).<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> <em>Valor Econ\u00f4mico<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Sergio Leo e Marta Watanabe | De Bras\u00edlia e S\u00e3o Paulo Engenheiro eletr\u00f4nico, formado pela Universidade de Bras\u00edlia (UnB), o baiano Roberto Azev\u00eado poderia estar hoje envolvido na constru\u00e7\u00e3o das hidrel\u00e9tricas amaz\u00f4nicas do governo Dilma Rousseff. 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Em 1982, trabalhava para uma consultora, Themag, no c\u00e1lculo de pot\u00eancias das grandes barragens da \u00e9poca. \u00c9 casado com Maria Nazareth Farani Azev\u00eado, que conheceu quando davam aulas de ingl\u00eas, na Casa Thomas Jefferson, em Bras\u00edlia. Maria Nazareth decidiu fazer diplomacia e Azev\u00eado resolveu acompanh\u00e1-la, mesmo sem falar o franc\u00eas exigido nos testes para o Instituto Rio Branco. Estudou com a mulher e passou na primeira tentativa, em 1983.\r\n\r\nAt\u00e9 hoje, com amigos, o novo diretor-geral da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC), quando lembra o come\u00e7o da carreira, brinca que se tornou diplomata \"por amor\". J\u00e1 ao mundo da diplomacia comercial ele chegou pela disciplina de engenheiro. Ao ser transferido para Genebra, em 1997, cuidava, a princ\u00edpio, de arquivos, tarefa burocr\u00e1tica reservada aos novatos da delega\u00e7\u00e3o; em 2001, por\u00e9m, impressionou o ent\u00e3o embaixador, Celso Amorim, ao participar de reuni\u00f5es com advogados encarregados do lit\u00edgio entre Brasil e Canad\u00e1, na disputa entre as empresas Bombardier e Embraer. Dedicado ao tema de subs\u00eddios, Azev\u00eado havia estudado detalhadamente as regras da OMC sobre o assunto e trouxe para as discuss\u00f5es propostas que se revelaram fundamentais na briga com o Canad\u00e1. Passou, a seguir, a ser chamado para opinar em outros casos e, ainda em 2001, quando o Brasil resolveu criar uma coordena\u00e7\u00e3o-geral exclusivamente para tratar das disputas comerciais, o conselheiro Roberto Azev\u00eado, foi nomeado para o posto, para o qual havia se pensado em um embaixador.\r\n\r\nEm 2004, em meio \u00e0 discuss\u00e3o sobre a forma\u00e7\u00e3o da \u00c1rea de Livre Com\u00e9rcio das Am\u00e9ricas (Alca), Amorim, j\u00e1 ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, designou Azev\u00eado para o time de negociadores brasileiros. Da discuss\u00e3o sobre a Alca, que acabou em impasse, ele foi para a chefia do departamento econ\u00f4mico, e passou a comandar a delega\u00e7\u00e3o brasileira nas negocia\u00e7\u00f5es da Rodada Doha, de liberaliza\u00e7\u00e3o comercial na OMC, que, agora, como diretor-geral da organiza\u00e7\u00e3o, ter\u00e1 a tarefa de levar a algum resultado. Durante a campanha para a dire\u00e7\u00e3o da OMC, um amigo, em Bras\u00edlia, chegou a propor, em tom de brincadeira, que o Brasil reivindicasse dos candidatos testes de aptid\u00e3o f\u00edsica. Integrante, quando adolescente, da equipe brasileira de nata\u00e7\u00e3o, Azev\u00eado \u00e9 esportista e chegou a ter, aos 12 anos, o terceiro melhor tempo do Brasil. Jogador de t\u00eanis como a esposa, hoje joga futebol aos fins de semana.\r\n\r\nO novo diretor-geral da OMC conseguiu um feito raro na diplomacia, em suas passagens por Bras\u00edlia e Genebra: \u00e9 elogiado por todos com quem trabalhou, e, aparentemente, n\u00e3o tem desafetos. Discreto, \u00e9 estimado pelos diversos grupos pol\u00edticos no Itamaraty e elogiado at\u00e9 por autoridades com quem sentou em lados opostos em contenciosos internacionais, como o ex-representante comercial da Casa Branca (USTR, em ingl\u00eas), Ron Kirk. \"\u00c9 um excelente diplomata, gosto muito dele\", disse Kirk ao Valor, em Davos, em janeiro. \"Um engenheiro veio mostrar que n\u00e3o precisamos de advogados\", graceja o ex-presidente do \u00d3rg\u00e3o de Apela\u00e7\u00e3o da OMC, Luiz Olavo Baptista, que conta ter ouvido esse coment\u00e1rio de uma autoridade em Genebra. O advogado brasileiro se diz impressionado com a atua\u00e7\u00e3o do diplomata. \"Em v\u00e1rios casos demonstrou l\u00f3gica, capacidade de exposi\u00e7\u00e3o e profissionalismo; atuava melhor que 80% dos advogados\", diz Baptista.\r\n\r\nAzev\u00eado \u00e9 visto por diplomatas de outros pa\u00edses como negociador leal e honestamente dedicado a encontrar solu\u00e7\u00f5es. 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