{"id":124,"date":"2011-01-31T17:14:10","date_gmt":"2011-01-31T17:14:10","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T03:00:00","slug":"passivo-judicial-ultrapassa-r-390-bilhoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/noticias\/passivo-judicial-ultrapassa-r-390-bilhoes\/","title":{"rendered":"Passivo judicial ultrapassa R$ 390 bilh\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Um fantasma de R$ 390,8 bilh\u00f5es assombra o governo Dilma Rousseff. A cifra representa a soma das principais a\u00e7\u00f5es que tramitam na Justi\u00e7a contra a Uni\u00e3o e que podem, num cen\u00e1rio pessimista, gerar novos esqueletos a serem bancados pelos cofres p\u00fablicos.<\/p>\n<p>A Advocacia-Geral da Uni\u00e3o (AGU), respons\u00e1vel pela defesa do governo nos tribunais, mant\u00e9m um acompanhamento sistem\u00e1tico sobre as a\u00e7\u00f5es que representam &#8220;riscos fiscais&#8221;, como elas s\u00e3o classificadas. Apesar das vit\u00f3rias obtidas em casos emblem\u00e1ticos, como do cr\u00e9dito-pr\u00eamio do Imposto sobre os Produtos Industrializados (IPI) em 2009, h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es nas quais as derrotas t\u00eam se acumulado.<\/p>\n<p>Um exemplo disso \u00e9 o embate com empresas e associa\u00e7\u00f5es do setor de a\u00e7\u00facar e \u00e1lcool sobre indeniza\u00e7\u00f5es por conta do congelamento de pre\u00e7os praticado ainda no governo Sarney (1985-1990). J\u00e1 foram identificadas mais de 150 a\u00e7\u00f5es tratando do tema. O valor dos pedidos pode bater os R$ 50 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Est\u00e3o sendo obtidas vit\u00f3rias pontuais, reduzindo consideravelmente o valor das indeniza\u00e7\u00f5es pretendidas, mas a Uni\u00e3o foi vencida na maioria das a\u00e7\u00f5es&#8221;, afirmam os t\u00e9cnicos da Procuradoria-Geral da Uni\u00e3o, em relat\u00f3rio ao qual o Estado teve acesso.<\/p>\n<p>Os preju\u00edzos potenciais que mais preocupam o governo, entretanto, s\u00e3o os provenientes de disputas sobre a cobran\u00e7a de impostos. &#8220;Do ponto de vista econ\u00f4mico, as quest\u00f5es tribut\u00e1rias s\u00e3o as mais relevantes&#8221;, reconheceu o ministro Lu\u00eds In\u00e1cio Adams, da AGU.<\/p>\n<p>Duas a\u00e7\u00f5es em especial est\u00e3o no radar dos advogados porque podem voltar a ser discutidas ainda este ano pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Os dois casos envolvem cobran\u00e7a de impostos. Em jogo est\u00e1 uma fatura de mais de R$ 130 bilh\u00f5es. A expectativa \u00e9 que as duas quest\u00f5es voltem \u00e0 pauta do STF assim que sair a indica\u00e7\u00e3o do substituto do ex-ministro Eros Grau, que se aposentou em agosto passado.<\/p>\n<p>Uma dos temas \u00e9 a cobran\u00e7a da Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre o Lucro L\u00edquido (CSLL) nas receitas financeiras de bancos, seguradoras e outras institui\u00e7\u00f5es. O tributo passou a ser cobrado em 1999, mas os contribuintes alegam que ele s\u00f3 deveria incidir sobre o dinheiro obtido com a cobran\u00e7a de tarifas.<\/p>\n<p>&#8220;A receita advinda da presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os inclui tamb\u00e9m a auferida com a intermedia\u00e7\u00e3o financeira, que \u00e9 o servi\u00e7o por excel\u00eancia que a institui\u00e7\u00e3o presta. Do nosso ponto de vista, \u00e9 \u00f3bvio que essa receita tamb\u00e9m est\u00e1 na base de c\u00e1lculo da Cofins&#8221;, disse Fabr\u00edcio da Soller, procurador-geral adjunto da Fazenda Nacional, \u00f3rg\u00e3o que cuida de quest\u00f5es tribut\u00e1rias.<\/p>\n<p><b>Sem previs\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>A estimativa inicial de perda aponta para um rombo de R$ 40 bilh\u00f5es. Mas o pr\u00f3prio governo reconhece que o valor pode ser maior. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 uma previs\u00e3o exata das perdas que uma eventual derrota significaria para a Uni\u00e3o. Tem-se a informa\u00e7\u00e3o, por parte daquele \u00f3rg\u00e3o (Receita), no sentido de que os valores s\u00e3o substancialmente superiores \u00e0 cifra de R$ 40 bilh\u00f5es&#8221;, afirmam os t\u00e9cnicos da AGU em um dos anexos da Lei de Diretrizes Or\u00e7ament\u00e1rias (LDO) de 2011.<\/p>\n<p>Soller, entretanto, acredita em vit\u00f3ria do governo nessa quest\u00e3o. &#8220;Temos uma grande expectativa de que nosso argumento, que \u00e9 muito bom, seja acolhido. N\u00e3o \u00e9 nenhum absurdo o que estamos defendendo&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Outro pepino tribut\u00e1rio a ser resolvido em 2011 \u00e9 a discuss\u00e3o sobre a inclus\u00e3o do valor arrecadado com o Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os (ICMS) na base de c\u00e1lculo da Contribui\u00e7\u00e3o para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Esse caso \u00e9 ainda mais emblem\u00e1tico porque afeta todas as empresas que recolhem essa contribui\u00e7\u00e3o. Os valores envolvidos atingem quase R$ 90 bilh\u00f5es e preocupam o governo.<\/p>\n<p>O governo tamb\u00e9m enfrenta demandas bilion\u00e1rias sendo movidas por apenas um contribuinte. \u00c9 o caso da Varig, que tenta arrancar dos cofres da Uni\u00e3o cerca de R$ 2,5 bilh\u00f5es por conta do congelamento dos pre\u00e7os das passagens a\u00e9reas.<\/p>\n<p>&#8220;Algumas a\u00e7\u00f5es individuais t\u00eam valores elevados, como a da Varig, mas de qualquer maneira a companhia deve para a Uni\u00e3o um valor muito maior. H\u00e1 compensa\u00e7\u00f5es nessas a\u00e7\u00f5es&#8221;, afirmou o ministro Adams. (Fonte: Estad\u00e3o)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um fantasma de R$ 390,8 bilh\u00f5es assombra o governo. 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J\u00e1 foram identificadas mais de 150 a\u00e7\u00f5es tratando do tema. O valor dos pedidos pode bater os R$ 50 bilh\u00f5es.<\/p>\r\n<p>\"Est\u00e3o sendo obtidas vit\u00f3rias pontuais, reduzindo consideravelmente o valor das indeniza\u00e7\u00f5es pretendidas, mas a Uni\u00e3o foi vencida na maioria das a\u00e7\u00f5es\", afirmam os t\u00e9cnicos da Procuradoria-Geral da Uni\u00e3o, em relat\u00f3rio ao qual o Estado teve acesso.<\/p>\r\n<p>Os preju\u00edzos potenciais que mais preocupam o governo, entretanto, s\u00e3o os provenientes de disputas sobre a cobran\u00e7a de impostos. \"Do ponto de vista econ\u00f4mico, as quest\u00f5es tribut\u00e1rias s\u00e3o as mais relevantes\", reconheceu o ministro Lu\u00eds In\u00e1cio Adams, da AGU.<\/p>\r\n<p>Duas a\u00e7\u00f5es em especial est\u00e3o no radar dos advogados porque podem voltar a ser discutidas ainda este ano pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Os dois casos envolvem cobran\u00e7a de impostos. Em jogo est\u00e1 uma fatura de mais de R$ 130 bilh\u00f5es. A expectativa \u00e9 que as duas quest\u00f5es voltem \u00e0 pauta do STF assim que sair a indica\u00e7\u00e3o do substituto do ex-ministro Eros Grau, que se aposentou em agosto passado.<\/p>\r\n<p>Uma dos temas \u00e9 a cobran\u00e7a da Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre o Lucro L\u00edquido (CSLL) nas receitas financeiras de bancos, seguradoras e outras institui\u00e7\u00f5es. O tributo passou a ser cobrado em 1999, mas os contribuintes alegam que ele s\u00f3 deveria incidir sobre o dinheiro obtido com a cobran\u00e7a de tarifas.<\/p>\r\n<p>\"A receita advinda da presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os inclui tamb\u00e9m a auferida com a intermedia\u00e7\u00e3o financeira, que \u00e9 o servi\u00e7o por excel\u00eancia que a institui\u00e7\u00e3o presta. Do nosso ponto de vista, \u00e9 \u00f3bvio que essa receita tamb\u00e9m est\u00e1 na base de c\u00e1lculo da Cofins\", disse Fabr\u00edcio da Soller, procurador-geral adjunto da Fazenda Nacional, \u00f3rg\u00e3o que cuida de quest\u00f5es tribut\u00e1rias.<\/p>\r\n<p>Sem previs\u00e3o<\/p>\r\n<p>A estimativa inicial de perda aponta para um rombo de R$ 40 bilh\u00f5es. Mas o pr\u00f3prio governo reconhece que o valor pode ser maior. \"N\u00e3o h\u00e1 uma previs\u00e3o exata das perdas que uma eventual derrota significaria para a Uni\u00e3o. Tem-se a informa\u00e7\u00e3o, por parte daquele \u00f3rg\u00e3o (Receita), no sentido de que os valores s\u00e3o substancialmente superiores \u00e0 cifra de R$ 40 bilh\u00f5es\", afirmam os t\u00e9cnicos da AGU em um dos anexos da Lei de Diretrizes Or\u00e7ament\u00e1rias (LDO) de 2011.<\/p>\r\n<p>Soller, entretanto, acredita em vit\u00f3ria do governo nessa quest\u00e3o. \"Temos uma grande expectativa de que nosso argumento, que \u00e9 muito bom, seja acolhido. N\u00e3o \u00e9 nenhum absurdo o que estamos defendendo\", disse.<\/p>\r\n<p>Outro pepino tribut\u00e1rio a ser resolvido em 2011 \u00e9 a discuss\u00e3o sobre a inclus\u00e3o do valor arrecadado com o Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os (ICMS) na base de c\u00e1lculo da Contribui\u00e7\u00e3o para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Esse caso \u00e9 ainda mais emblem\u00e1tico porque afeta todas as empresas que recolhem essa contribui\u00e7\u00e3o. Os valores envolvidos atingem quase R$ 90 bilh\u00f5es e preocupam o governo.<\/p>\r\n<p>O governo tamb\u00e9m enfrenta demandas bilion\u00e1rias sendo movidas por apenas um contribuinte. \u00c9 o caso da Varig, que tenta arrancar dos cofres da Uni\u00e3o cerca de R$ 2,5 bilh\u00f5es por conta do congelamento dos pre\u00e7os das passagens a\u00e9reas.<\/p>\r\n<p>\"Algumas a\u00e7\u00f5es individuais t\u00eam valores elevados, como a da Varig, mas de qualquer maneira a companhia deve para a Uni\u00e3o um valor muito maior. H\u00e1 compensa\u00e7\u00f5es nessas a\u00e7\u00f5es\", afirmou o ministro Adams. (Fonte: Estad\u00e3o)<\/p>","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=124"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=124"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=124"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=124"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}