{"id":1239,"date":"2013-04-11T16:43:46","date_gmt":"2013-04-11T16:43:46","guid":{"rendered":""},"modified":"2016-03-28T16:12:44","modified_gmt":"2016-03-28T16:12:44","slug":"receita-pode-quebrar-sigilo-bancario-sem-ordem-judicial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/clipping\/receita-pode-quebrar-sigilo-bancario-sem-ordem-judicial\/","title":{"rendered":"Receita pode quebrar sigilo banc\u00e1rio sem ordem judicial"},"content":{"rendered":"<p>A Justi\u00e7a Federal de S\u00e3o Paulo decidiu que n\u00e3o h\u00e1 viola\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o sigilosa se os dados s\u00e3o transferidos entre entidades obrigadas a manter esse sigilo. O entendimento \u00e9 do juiz Dasser Letti\u00e9re J\u00fanior, da 2\u00aa Vara Federal de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto (SP), que negou pedido de uma empresa de confec\u00e7\u00e3o que tentava impedir a Receita Federal de ter acesso a seus documentos e informa\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias.<\/p>\n<p>Na senten\u00e7a, o juiz discutiu a constitucionalidade da Lei Complementar 105\/2001, que regulamenta o trato de informa\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias sigilosas. Ele afirmou que o artigo 5\u00ba, inciso X, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal determina a inviolabilidade da intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas. J\u00e1 o inciso XII do mesmo artigo estabelece a inviolabilidade do sigilo da correspond\u00eancia e das comunica\u00e7\u00f5es telegr\u00e1ficas, de dados e das comunica\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas, salvo por ordem judicial.<\/p>\n<p>O juiz Dassler Letti\u00e9re descartou as duas possibilidades de viola\u00e7\u00e3o ao artigo 5\u00ba, porque a lei complementar n\u00e3o fala em intercepta\u00e7\u00f5es, apenas em dados banc\u00e1rios sigilosos. Quanto \u00e0 viola\u00e7\u00e3o ao inciso X, disse: \u201cN\u00e3o vislumbro a inconstitucionalidade da Lei Complementar 105 por viola\u00e7\u00e3o aos direitos da privacidade previstos no artigo 5\u00ba, inciso X da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, vez que mantida pelo legislador a sigilosidade dos dados obtidos e, portanto, respeitada a manuten\u00e7\u00e3o da privacidade do indiv\u00edduo\u201d.<\/p>\n<p>Em outras palavras, ele entendeu que a lei obriga tanto o banco quanto a Receita a manter o sigilo dessas informa\u00e7\u00f5es dos cidad\u00e3os. Ou seja: \u201cBasta n\u00e3o interceptar comunica\u00e7\u00f5es (inciso XII) e manter o sigilo das informa\u00e7\u00f5es obtidas, para n\u00e3o violar os direitos inerentes \u00e0 dignidade da pessoa (inciso X). Isso a Lei Complementar 105 faz\u201d, anotou o juiz.<\/p>\n<p>Ao negar o pedido, o juiz federal afirmou que o contribuinte n\u00e3o pode se negar a fornecer as informa\u00e7\u00f5es de movimenta\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria ao fisco, se h\u00e1 a obriga\u00e7\u00e3o legal de as institui\u00e7\u00f5es manterem o sigilo desses dados. \u201cN\u00e3o h\u00e1 direito l\u00edquido e certo do cidad\u00e3o em obter prote\u00e7\u00e3o do Poder Judici\u00e1rio para escond\u00ea-la.\u201d<\/p>\n<h3>Com a diverg\u00eancia<\/h3>\n<p>Com a negativa da transfer\u00eancia das informa\u00e7\u00f5es entre bancos e Receita, o juiz federal contrariou o que j\u00e1 decidiu o Supremo Tribunal Federal. No <a href=\"http:\/\/www.conjur.com.br\/2010-dez-15\/fisco-nao-poder-decretar-quebra-sigilo-bancario-contribuinte\" target=\"_blank\">julgamento<\/a> de um Recurso Extraordin\u00e1rio em 2010, o STF definiu, por cinco votos a quatro, que o sigilo de informa\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias s\u00f3 pode ser violado mediante ordem judicial, e apenas para fins de investiga\u00e7\u00e3o criminal ou instru\u00e7\u00e3o processual criminal. Nunca por meio de ato administrativo da Receita Federal.<\/p>\n<p>O autor do voto vencedor foi o relator, o ministro Marco Aur\u00e9lio. Ele afirmou que o repasse dos dados pelo banco \u00e0 Receita, sem ordem judicial, viola o inciso XII do artigo 5\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o. O mesmo dispositivo que o juiz Dassler Letti\u00e9re afirmou n\u00e3o ser afrontado pela Lei Complementar 105, autorizando o repasse das informa\u00e7\u00f5es ao fisco.<\/p>\n<p>Em seu voto, o ministro Marco Aur\u00e9lio afirmou que \u201ca inviabilidade de se estender essa exce\u00e7\u00e3o resguarda o cidad\u00e3o de atos extravagantes do Poder P\u00fablico, atos que possam violar a dignidade do cidad\u00e3o\u201d. Foi acompanhado pelos ministros Celso de Mello, Gilmar Mendes, Cezar Peluso e Ricardo Lewandowski.<\/p>\n<p>No entanto, houve quatro votos na discuss\u00e3o do Supremo que entenderam o mesmo que o juiz federal Dassler Letti\u00e9re. A diverg\u00eancia foi aberta pelo ministro Dias Toffoli. E o que ele disse foi justamete que n\u00e3o h\u00e1 viola\u00e7\u00e3o se a transfer\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es foi feita entre entidades que est\u00e3o obrigadas a manter sigilo. Toffoli citou o par\u00e1grafo 1 do artigo 145 da Constitui\u00e7\u00e3o, que diz que, \u201csempre que poss\u00edvel, os impostos ter\u00e3o car\u00e1ter pessoal e ser\u00e3o graduados segundo a capacidade econ\u00f4mica do contribuinte, facultado \u00e0 administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrim\u00f4nio, os rendimentos e as atividades econ\u00f4micas do contribuinte\u201d.<\/p>\n<p>E concluiu, a partir dele, que o contribuinte tem a obriga\u00e7\u00e3o legal de fazer a declara\u00e7\u00e3o de seus bens ao fisco. Foi acompanhado pelos ministros Ayres Britto, C\u00e1rmen L\u00facia e Ellen Gracie. Com informa\u00e7\u00f5es da <em>Assessoria de Imprensa da Justi\u00e7a Federal de S\u00e3o Paulo<\/em>.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Revista <strong>Consultor Jur\u00eddico<\/strong>, 10 de abril de 2013<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Justi\u00e7a Federal de S\u00e3o Paulo decidiu que n\u00e3o h\u00e1 viola\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o sigilosa se os dados s\u00e3o transferidos entre entidades obrigadas a manter esse sigilo. 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O entendimento \u00e9 do juiz Dasser Letti\u00e9re J\u00fanior, da 2\u00aa Vara Federal de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto (SP), que negou pedido de uma empresa de confec\u00e7\u00e3o que tentava impedir a Receita Federal de ter acesso a seus documentos e informa\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias.\r\n\r\nNa senten\u00e7a, o juiz discutiu a constitucionalidade da Lei Complementar 105\/2001, que regulamenta o trato de informa\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias sigilosas. Ele afirmou que o artigo 5\u00ba, inciso X, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal determina a inviolabilidade da intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas. J\u00e1 o inciso XII do mesmo artigo estabelece a inviolabilidade do sigilo da correspond\u00eancia e das comunica\u00e7\u00f5es telegr\u00e1ficas, de dados e das comunica\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas, salvo por ordem judicial.\r\n\r\nO juiz Dassler Letti\u00e9re descartou as duas possibilidades de viola\u00e7\u00e3o ao artigo 5\u00ba, porque a lei complementar n\u00e3o fala em intercepta\u00e7\u00f5es, apenas em dados banc\u00e1rios sigilosos. Quanto \u00e0 viola\u00e7\u00e3o ao inciso X, disse: \u201cN\u00e3o vislumbro a inconstitucionalidade da Lei Complementar 105 por viola\u00e7\u00e3o aos direitos da privacidade previstos no artigo 5\u00ba, inciso X da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, vez que mantida pelo legislador a sigilosidade dos dados obtidos e, portanto, respeitada a manuten\u00e7\u00e3o da privacidade do indiv\u00edduo\u201d.\r\n\r\nEm outras palavras, ele entendeu que a lei obriga tanto o banco quanto a Receita a manter o sigilo dessas informa\u00e7\u00f5es dos cidad\u00e3os. Ou seja: \u201cBasta n\u00e3o interceptar comunica\u00e7\u00f5es (inciso XII) e manter o sigilo das informa\u00e7\u00f5es obtidas, para n\u00e3o violar os direitos inerentes \u00e0 dignidade da pessoa (inciso X). Isso a Lei Complementar 105 faz\u201d, anotou o juiz.\r\n\r\nAo negar o pedido, o juiz federal afirmou que o contribuinte n\u00e3o pode se negar a fornecer as informa\u00e7\u00f5es de movimenta\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria ao fisco, se h\u00e1 a obriga\u00e7\u00e3o legal de as institui\u00e7\u00f5es manterem o sigilo desses dados. \u201cN\u00e3o h\u00e1 direito l\u00edquido e certo do cidad\u00e3o em obter prote\u00e7\u00e3o do Poder Judici\u00e1rio para escond\u00ea-la.\u201d\r\nCom a diverg\u00eancia\r\nCom a negativa da transfer\u00eancia das informa\u00e7\u00f5es entre bancos e Receita, o juiz federal contrariou o que j\u00e1 decidiu o Supremo Tribunal Federal. No <a href=\"http:\/\/www.conjur.com.br\/2010-dez-15\/fisco-nao-poder-decretar-quebra-sigilo-bancario-contribuinte\" target=\"_blank\">julgamento<\/a> de um Recurso Extraordin\u00e1rio em 2010, o STF definiu, por cinco votos a quatro, que o sigilo de informa\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias s\u00f3 pode ser violado mediante ordem judicial, e apenas para fins de investiga\u00e7\u00e3o criminal ou instru\u00e7\u00e3o processual criminal. Nunca por meio de ato administrativo da Receita Federal.\r\n\r\nO autor do voto vencedor foi o relator, o ministro Marco Aur\u00e9lio. Ele afirmou que o repasse dos dados pelo banco \u00e0 Receita, sem ordem judicial, viola o inciso XII do artigo 5\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o. O mesmo dispositivo que o juiz Dassler Letti\u00e9re afirmou n\u00e3o ser afrontado pela Lei Complementar 105, autorizando o repasse das informa\u00e7\u00f5es ao fisco.\r\n\r\nEm seu voto, o ministro Marco Aur\u00e9lio afirmou que \u201ca inviabilidade de se estender essa exce\u00e7\u00e3o resguarda o cidad\u00e3o de atos extravagantes do Poder P\u00fablico, atos que possam violar a dignidade do cidad\u00e3o\u201d. Foi acompanhado pelos ministros Celso de Mello, Gilmar Mendes, Cezar Peluso e Ricardo Lewandowski.\r\n\r\nNo entanto, houve quatro votos na discuss\u00e3o do Supremo que entenderam o mesmo que o juiz federal Dassler Letti\u00e9re. A diverg\u00eancia foi aberta pelo ministro Dias Toffoli. E o que ele disse foi justamete que n\u00e3o h\u00e1 viola\u00e7\u00e3o se a transfer\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es foi feita entre entidades que est\u00e3o obrigadas a manter sigilo. Toffoli citou o par\u00e1grafo 1 do artigo 145 da Constitui\u00e7\u00e3o, que diz que, \u201csempre que poss\u00edvel, os impostos ter\u00e3o car\u00e1ter pessoal e ser\u00e3o graduados segundo a capacidade econ\u00f4mica do contribuinte, facultado \u00e0 administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrim\u00f4nio, os rendimentos e as atividades econ\u00f4micas do contribuinte\u201d.\r\n\r\nE concluiu, a partir dele, que o contribuinte tem a obriga\u00e7\u00e3o legal de fazer a declara\u00e7\u00e3o de seus bens ao fisco. Foi acompanhado pelos ministros Ayres Britto, C\u00e1rmen L\u00facia e Ellen Gracie. Com informa\u00e7\u00f5es da <em>Assessoria de Imprensa da Justi\u00e7a Federal de S\u00e3o Paulo<\/em>.\r\n\r\n\r\n\r\nRevista <strong>Consultor Jur\u00eddico<\/strong>, 10 de abril de 2013","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1239"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1239"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1239\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4005,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1239\/revisions\/4005"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1239"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1239"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1239"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}