{"id":1223,"date":"2013-04-05T12:22:23","date_gmt":"2013-04-05T12:22:23","guid":{"rendered":""},"modified":"2016-03-28T16:16:49","modified_gmt":"2016-03-28T16:16:49","slug":"caso-de-coligadas-fica-indefinido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/clipping\/caso-de-coligadas-fica-indefinido\/","title":{"rendered":"Caso de coligadas fica indefinido"},"content":{"rendered":"<p class=\"intro\">Por B\u00e1rbara Pombo | De Bras\u00edlia<\/p>\n<p>Ap\u00f3s quase cinco horas de debates, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) finalizaram ontem o julgamento da a\u00e7\u00e3o direta de inconstitucionalidade (Adin) que discute a tributa\u00e7\u00e3o de lucros de empresas coligadas e controladas no exterior. Mas n\u00e3o proferiram o resultado e nem se sabe se haver\u00e1 um. Com a dificuldade em extrair um placar, os ministros v\u00e3o decidir at\u00e9 a pr\u00f3xima semana se batem o martelo na Adin ou se continuam a julgar apenas outros recursos sobre o tema.<\/p>\n<p>Os ministros Dias Toffoli, Marco Aur\u00e9lio Mello e C\u00e1rmen L\u00facia levantaram a necessidade de refletir melhor sobre o assunto. Isso porque o longo tempo para resolver a quest\u00e3o &#8211; 12 anos &#8211; levou a uma dificuldade na pr\u00f3pria din\u00e2mica do julgamento.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o bilion\u00e1ria sobre a constitucionalidade da tributa\u00e7\u00e3o pelo Imposto de Renda e CSLL de lucros auferidos no exterior antes da disponibiliza\u00e7\u00e3o dos rendimento no Brasil \u00e9 analisada a partir de tr\u00eas processos. S\u00e3o dois recursos extraordin\u00e1rios &#8211; da Coamo e da Empresa Brasileira de Compressores (Embraco) &#8211; e uma Adin ajuizada em 2001 pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI).<\/p>\n<p>Com o voto do ministro Joaquim Barbosa, proferido ontem, foi encerrado, sem proclama\u00e7\u00e3o de resultado, o julgamento da Adin. &#8220;Sinto dificuldade em extrair um resultado majorit\u00e1rio da Adin&#8221;, afirmou Barbosa. Some-se \u00e0 dificuldade o fato de seis de dez ministros que votaram na Adin j\u00e1 terem se aposentado. At\u00e9 2011, quando o julgamento foi suspenso pela \u00faltima vez, havia quatro votos a favor da tributa\u00e7\u00e3o e quatro contra. A ministra Ellen Gracie, relatora do caso, entendeu que o Fisco n\u00e3o poderia exigir o imposto apenas de empresas coligadas.<\/p>\n<p>Barbosa decidiu a quest\u00e3o no sentido de s\u00f3 permitir a tributa\u00e7\u00e3o no momento em que o lucro \u00e9 auferido em balan\u00e7o para empresas situadas em para\u00edsos fiscais. \u00c9 o caso, por exemplo, da Coamo, que tem controlada em Aruba desde 1994. No caso da Embraco, que tem subsidi\u00e1rias na China e na It\u00e1lia, a Receita Federal teria que provar que houve sonega\u00e7\u00e3o fiscal para exigir o imposto.<\/p>\n<p>O presidente do Supremo afastou ainda argumento da Fazenda de que o objetivo da tributa\u00e7\u00e3o no momento da apura\u00e7\u00e3o do lucro em balan\u00e7o seria fechar o cerco para planejamentos tribut\u00e1rios realizados com o intuito de pagar menos tributos. &#8220;O contribuinte \u00e9 considerado presumido sonegador&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Diante da falta de resultado, o plen\u00e1rio deixou a Adin de lado e come\u00e7ou a analisar o recurso da Coamo. Depois do voto de Barbosa e de Teori Zavascki, ministros levantaram a necessidade de suspender o julgamento para entenderem qual foi a decis\u00e3o proferida na Adin. Em um voto extremamente t\u00e9cnico, Teori votou a favor do Fisco ao considerar a cobran\u00e7a constitucional.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o da CNI e do ministro Dias Toffoli \u00e9 de que j\u00e1 h\u00e1 uma decis\u00e3o majorit\u00e1ria na Adin: a impossibilidade do Fisco tributar lucros de empresas coligadas fora de para\u00edsos fiscais. Dessa forma, a discuss\u00e3o neste caso espec\u00edfico estaria encerrada. No julgamento dos recursos, o Supremo teria que enfrentar a quest\u00e3o da constitucionalidade para empresas controladas. &#8220;Minha leitura \u00e9 essa. Mas ainda precisamos esperar para ver se o presidente Joaquim Barbosa entende o mesmo&#8221;, disse Toffoli em conversa com jornalistas. O ministro j\u00e1 adiantou que votar\u00e1 a favor da tributa\u00e7\u00e3o de forma geral.<\/p>\n<p>Para advogados, n\u00e3o h\u00e1 ainda previs\u00e3o de como o julgamento ser\u00e1 retomado. &#8220;Seria interessante que o resultado da Adin fosse proferido&#8221;, afirma Cassio Borges, gerente jur\u00eddico da CNI.<\/p>\n<p>Para o advogado Maur\u00edcio Faro, do Barbosa, M\u00fcssnich &amp; Arag\u00e3o, o julgamento foi confuso. Segundo ele, como o caso da Coamo e da Embraco est\u00e3o na pauta, ainda n\u00e3o d\u00e1 para saber o que vai acontecer.<\/p>\n<p>No julgamento, a Fazenda Nacional defendeu que a exig\u00eancia do IR e da CSLL sobre lucros de subsidi\u00e1rias de empresas brasileiras no exterior teve por objetivo evitar planejamentos tribut\u00e1rios abusivos e perda de arrecada\u00e7\u00e3o. De acordo com o Fisco, a realidade antes da exig\u00eancia demonstrava que empresas brasileiras constitu\u00edam &#8220;empresas de gaveta&#8221; apenas para auferir lucros em pa\u00edses com tributa\u00e7\u00e3o menor. &#8220;A distribui\u00e7\u00e3o dos lucros no Brasil n\u00e3o se concretizava, obstando a tributa\u00e7\u00e3o&#8221;, afirmou a procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira. &#8220;O objetivo [da norma] foi simplificar a legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria e evitar a corros\u00e3o da base fiscal brasileira.&#8221;<\/p>\n<p>Pelo artigo 74 da Medida Provis\u00f3ria (MP) n\u00ba 2.158-35, de 2001, a Receita Federal passou a exigir que o lucro seja tributado por IR e CSLL no momento da apura\u00e7\u00e3o do resultado no exterior, mesmo quando n\u00e3o h\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o de dividendos a acionistas no Brasil.<\/p>\n<p>Os advogados das empresas tentaram demonstrar a inconstitucionalidade de tributar lucros no momento da apura\u00e7\u00e3o em balan\u00e7o. Para eles, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel exigir tributos sobre rendimentos disponibilizados. Os tributaristas diferenciaram as situa\u00e7\u00f5es de ter o lucro apurado em balan\u00e7o e efetivamente distribu\u00eddo aos acionistas. &#8220;O artigo 74 \u00e9 uma imoral tributa\u00e7\u00e3o baseada em mentira&#8221;, afirmou o tributarista e professor Alberto Xavier, que falou em defesa da Coamo. <strong>(Colaborou Adriana Aguiar)<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> <em>Valor Econ\u00f4mico<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por B\u00e1rbara Pombo | De Bras\u00edlia Ap\u00f3s quase cinco horas de debates, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) finalizaram ontem o julgamento da a\u00e7\u00e3o direta de inconstitucionalidade (Adin) que discute a tributa\u00e7\u00e3o de lucros de empresas coligadas e controladas no exterior. Mas n\u00e3o proferiram o resultado e nem se sabe se haver\u00e1 um. 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S\u00e3o dois recursos extraordin\u00e1rios - da Coamo e da Empresa Brasileira de Compressores (Embraco) - e uma Adin ajuizada em 2001 pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI).\r\n\r\nCom o voto do ministro Joaquim Barbosa, proferido ontem, foi encerrado, sem proclama\u00e7\u00e3o de resultado, o julgamento da Adin. \"Sinto dificuldade em extrair um resultado majorit\u00e1rio da Adin\", afirmou Barbosa. Some-se \u00e0 dificuldade o fato de seis de dez ministros que votaram na Adin j\u00e1 terem se aposentado. At\u00e9 2011, quando o julgamento foi suspenso pela \u00faltima vez, havia quatro votos a favor da tributa\u00e7\u00e3o e quatro contra. A ministra Ellen Gracie, relatora do caso, entendeu que o Fisco n\u00e3o poderia exigir o imposto apenas de empresas coligadas.\r\n\r\nBarbosa decidiu a quest\u00e3o no sentido de s\u00f3 permitir a tributa\u00e7\u00e3o no momento em que o lucro \u00e9 auferido em balan\u00e7o para empresas situadas em para\u00edsos fiscais. \u00c9 o caso, por exemplo, da Coamo, que tem controlada em Aruba desde 1994. No caso da Embraco, que tem subsidi\u00e1rias na China e na It\u00e1lia, a Receita Federal teria que provar que houve sonega\u00e7\u00e3o fiscal para exigir o imposto.\r\n\r\nO presidente do Supremo afastou ainda argumento da Fazenda de que o objetivo da tributa\u00e7\u00e3o no momento da apura\u00e7\u00e3o do lucro em balan\u00e7o seria fechar o cerco para planejamentos tribut\u00e1rios realizados com o intuito de pagar menos tributos. \"O contribuinte \u00e9 considerado presumido sonegador\", afirmou.\r\n\r\nDiante da falta de resultado, o plen\u00e1rio deixou a Adin de lado e come\u00e7ou a analisar o recurso da Coamo. Depois do voto de Barbosa e de Teori Zavascki, ministros levantaram a necessidade de suspender o julgamento para entenderem qual foi a decis\u00e3o proferida na Adin. Em um voto extremamente t\u00e9cnico, Teori votou a favor do Fisco ao considerar a cobran\u00e7a constitucional.\r\n\r\nA avalia\u00e7\u00e3o da CNI e do ministro Dias Toffoli \u00e9 de que j\u00e1 h\u00e1 uma decis\u00e3o majorit\u00e1ria na Adin: a impossibilidade do Fisco tributar lucros de empresas coligadas fora de para\u00edsos fiscais. Dessa forma, a discuss\u00e3o neste caso espec\u00edfico estaria encerrada. No julgamento dos recursos, o Supremo teria que enfrentar a quest\u00e3o da constitucionalidade para empresas controladas. \"Minha leitura \u00e9 essa. Mas ainda precisamos esperar para ver se o presidente Joaquim Barbosa entende o mesmo\", disse Toffoli em conversa com jornalistas. O ministro j\u00e1 adiantou que votar\u00e1 a favor da tributa\u00e7\u00e3o de forma geral.\r\n\r\nPara advogados, n\u00e3o h\u00e1 ainda previs\u00e3o de como o julgamento ser\u00e1 retomado. \"Seria interessante que o resultado da Adin fosse proferido\", afirma Cassio Borges, gerente jur\u00eddico da CNI.\r\n\r\nPara o advogado Maur\u00edcio Faro, do Barbosa, M\u00fcssnich &amp; Arag\u00e3o, o julgamento foi confuso. Segundo ele, como o caso da Coamo e da Embraco est\u00e3o na pauta, ainda n\u00e3o d\u00e1 para saber o que vai acontecer.\r\n\r\nNo julgamento, a Fazenda Nacional defendeu que a exig\u00eancia do IR e da CSLL sobre lucros de subsidi\u00e1rias de empresas brasileiras no exterior teve por objetivo evitar planejamentos tribut\u00e1rios abusivos e perda de arrecada\u00e7\u00e3o. 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Para eles, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel exigir tributos sobre rendimentos disponibilizados. Os tributaristas diferenciaram as situa\u00e7\u00f5es de ter o lucro apurado em balan\u00e7o e efetivamente distribu\u00eddo aos acionistas. \"O artigo 74 \u00e9 uma imoral tributa\u00e7\u00e3o baseada em mentira\", afirmou o tributarista e professor Alberto Xavier, que falou em defesa da Coamo. <strong>(Colaborou Adriana Aguiar)<\/strong>\r\n\r\n<strong>Fonte:<\/strong> <em>Valor Econ\u00f4mico<\/em>","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1223"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1223"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1223\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4016,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1223\/revisions\/4016"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1223"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1223"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1223"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}