{"id":1214,"date":"2013-04-02T18:25:59","date_gmt":"2013-04-02T18:25:59","guid":{"rendered":""},"modified":"2016-03-28T19:09:39","modified_gmt":"2016-03-28T19:09:39","slug":"brasil-ja-e-o-12o-pais-em-milionarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/clipping\/brasil-ja-e-o-12o-pais-em-milionarios\/","title":{"rendered":"Brasil j\u00e1 \u00e9 o 12\u00ba pa\u00eds em milion\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p class=\"intro\">Por M\u00e1rcio Sampaio de Castro | Para o Valor, de S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>Eles n\u00e3o gostam de aparecer fora de seu pr\u00f3prio c\u00edrculo social. Nas ocasi\u00f5es em que atendem aos entrevistadores do IBGE, costumam informar uma renda compat\u00edvel ao sal\u00e1rio de altos executivos, raramente fazem refer\u00eancia a ganhos milion\u00e1rios provenientes de investimentos em neg\u00f3cios diversos ou no mercado de capitais e dados oficiais que retratem com precis\u00e3o a crescente parcela de novos milion\u00e1rios brasileiros s\u00e3o praticamente incipientes. Mas uma olhada sobre uma s\u00e9rie de dados esparsos, oriundos principalmente de pesquisas de mercado, ajuda a iluminar quem s\u00e3o e o que querem essas pessoas.<\/p>\n<p>&#8220;No caso do Brasil, \u00e9 muito dif\u00edcil mapear os milion\u00e1rios. \u00c9 poss\u00edvel observar alguns sinais, identificar, por exemplo, a expans\u00e3o do mercado do alto luxo. Em uma economia mundial em crise, a cidade de S\u00e3o Paulo aparece com a segunda maior frota de helic\u00f3pteros do mundo. Evidentemente, \u00e9 um sinal de que h\u00e1 uma camada de hiper-ricos e milion\u00e1rios integrada \u00e0 din\u00e2mica econ\u00f4mica do pa\u00eds e que n\u00e3o aparece com clareza em nenhuma pesquisa das principais institui\u00e7\u00f5es brasileiras, como o IBGE ou a Funda\u00e7\u00e3o Seade&#8221;, observa Denis Maracci Gimenez, professor da Facamp e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), da Unicamp.<\/p>\n<p>De fato, segundo dados da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Avia\u00e7\u00e3o Geral (Abag), na \u00faltima d\u00e9cada, o crescimento da frota de helic\u00f3pteros civis no Brasil foi da ordem de 58,6%. Somente em 2012, um ano fraco para a nossa economia, as aquisi\u00e7\u00f5es cresceram 5%, em compara\u00e7\u00e3o com o ano anterior. As frotas brasileiras de helic\u00f3pteros e jatos executivos concorrem em p\u00e9 de igualdade com os n\u00fameros exibidos nos Estados Unidos. O esportivo Ferrari, cujo modelo mais barato n\u00e3o sai por menos de R$ 1,4 milh\u00e3o, mant\u00e9m uma venda m\u00e9dia de 45 unidades por ano no pa\u00eds. Nos \u00faltimos anos, desembarcaram por aqui lojas da Bugatti, Bentley, Lamborghini, Tiffany, e das grifes Louis Vuitton Herm\u00e8s, Missoni e Christian Louboutin.<\/p>\n<p>Publicada no final do ano passado, a sexta edi\u00e7\u00e3o da pesquisa &#8220;O Mercado de Luxo no Brasil&#8221; produzida pela MCF Consultoria em parceria com o grupo GfK, Brasil mostra que, apesar de uma pequena retra\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a anos anteriores, o mercado de luxo brasileiro movimentou cerca de R$ 20,1 bilh\u00f5es em 12 meses. Mesmo com a lideran\u00e7a incontest\u00e1vel da cidade de S\u00e3o Paulo em rela\u00e7\u00e3o ao volume de neg\u00f3cios e ao consumo de alto padr\u00e3o, cidades como o Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Bras\u00edlia e Curitiba t\u00eam se tornado um foco crescente dos mais variados investimentos voltados a este p\u00fablico. Somente a capital fluminense teve um incremento de 62% nos recursos destinados para a amplia\u00e7\u00e3o ou cria\u00e7\u00e3o de novos neg\u00f3cios de alto padr\u00e3o. A demanda \u00e9 t\u00e3o significativa que em alguns casos a fila de milion\u00e1rios que aguardam por artigos sofisticados, que v\u00e3o de bolsas a jatos executivos, pode chegar a 18 meses.<\/p>\n<p>O Relat\u00f3rio sobre a riqueza mundial em 2012 elaborado pela Capegemini Consultoria em conjunto com a RBC Wealth Management, do Canad\u00e1, mostra que, mesmo com a crise econ\u00f4mica global, o n\u00famero de milion\u00e1rios no Brasil aumentou em 6,2%, o que confere ao pa\u00eds a condi\u00e7\u00e3o de figurar entre as 12 na\u00e7\u00f5es no mundo com o maior n\u00famero de pessoas com este perfil, amea\u00e7ando roubar o 10\u00ba lugar da It\u00e1lia, que, a exemplo de outros pa\u00edses considerados ricos, vem experimentando um decr\u00e9scimo no n\u00famero absoluto de pessoas com alt\u00edssima renda. Para fazer este levantamento a pesquisa apura e considera os indiv\u00edduos que possuem mais US$ 1 milh\u00e3o dispon\u00edvel para investir.<\/p>\n<p>Para o economista e ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (IPEA), Marcio Pochmann, este crescimento reflete o avan\u00e7o da economia brasileira nos \u00faltimos anos. Pochmann, que possui diversos livros publicados onde analisa quest\u00f5es como a pobreza, mobilidade social e rela\u00e7\u00f5es de trabalho, prepara para breve o lan\u00e7amento de um novo t\u00edtulo com o objetivo de analisar o perfil da riqueza no Brasil. Apresentando alguns dados preliminares, o economista lembra que, mesmo com todas as pol\u00edticas p\u00fablicas de combate \u00e0 pobreza implementadas em anos recentes, o avan\u00e7o da riqueza se deu em ritmo mais consistente e amplo do que a diminui\u00e7\u00e3o da mis\u00e9ria no pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;Houve um al\u00edvio na desigualdade de renda, mas seguimos ainda com s\u00e9rios problemas nesta \u00e1rea. J\u00e1 a riqueza avan\u00e7a na esfera produtiva, diferentemente dos anos 90 quando este crescimento ocorreu a partir da financeiriza\u00e7\u00e3o. Atualmente este avan\u00e7o se d\u00e1 no setor agr\u00edcola, com as commodities, no setor industrial e fundamentalmente no setor terci\u00e1rio, com destaque para os servi\u00e7os&#8221;, aponta Pochmann. Enquanto o mercado de luxo avan\u00e7a e nas ruas dos grandes centros urbanos brasileiros s\u00edmbolos de grande riqueza tornam-se elementos cada vez mais comuns na paisagem, a crescente parcela de milion\u00e1rios brasileiros segue \u00e0 risca uma antiga receita de discri\u00e7\u00e3o: o segredo \u00e9 a alma dos neg\u00f3cios.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> <em>Valor Econ\u00f4mico<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por M\u00e1rcio Sampaio de Castro | Para o Valor, de S\u00e3o Paulo Eles n\u00e3o gostam de aparecer fora de seu pr\u00f3prio c\u00edrculo social. 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Nas ocasi\u00f5es em que atendem aos entrevistadores do IBGE, costumam informar uma renda compat\u00edvel ao sal\u00e1rio de altos executivos, raramente fazem refer\u00eancia a ganhos milion\u00e1rios provenientes de investimentos em neg\u00f3cios diversos ou no mercado de capitais e dados oficiais que retratem com precis\u00e3o a crescente parcela de novos milion\u00e1rios brasileiros s\u00e3o praticamente incipientes. Mas uma olhada sobre uma s\u00e9rie de dados esparsos, oriundos principalmente de pesquisas de mercado, ajuda a iluminar quem s\u00e3o e o que querem essas pessoas.<\/p>\r\n<p>\"No caso do Brasil, \u00e9 muito dif\u00edcil mapear os milion\u00e1rios. \u00c9 poss\u00edvel observar alguns sinais, identificar, por exemplo, a expans\u00e3o do mercado do alto luxo. Em uma economia mundial em crise, a cidade de S\u00e3o Paulo aparece com a segunda maior frota de helic\u00f3pteros do mundo. Evidentemente, \u00e9 um sinal de que h\u00e1 uma camada de hiper-ricos e milion\u00e1rios integrada \u00e0 din\u00e2mica econ\u00f4mica do pa\u00eds e que n\u00e3o aparece com clareza em nenhuma pesquisa das principais institui\u00e7\u00f5es brasileiras, como o IBGE ou a Funda\u00e7\u00e3o Seade\", observa Denis Maracci Gimenez, professor da Facamp e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), da Unicamp.<\/p>\r\n<p>De fato, segundo dados da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Avia\u00e7\u00e3o Geral (Abag), na \u00faltima d\u00e9cada, o crescimento da frota de helic\u00f3pteros civis no Brasil foi da ordem de 58,6%. Somente em 2012, um ano fraco para a nossa economia, as aquisi\u00e7\u00f5es cresceram 5%, em compara\u00e7\u00e3o com o ano anterior. As frotas brasileiras de helic\u00f3pteros e jatos executivos concorrem em p\u00e9 de igualdade com os n\u00fameros exibidos nos Estados Unidos. O esportivo Ferrari, cujo modelo mais barato n\u00e3o sai por menos de R$ 1,4 milh\u00e3o, mant\u00e9m uma venda m\u00e9dia de 45 unidades por ano no pa\u00eds. Nos \u00faltimos anos, desembarcaram por aqui lojas da Bugatti, Bentley, Lamborghini, Tiffany, e das grifes Louis Vuitton Herm\u00e8s, Missoni e Christian Louboutin.<\/p>\r\n<p>Publicada no final do ano passado, a sexta edi\u00e7\u00e3o da pesquisa \"O Mercado de Luxo no Brasil\" produzida pela MCF Consultoria em parceria com o grupo GfK, Brasil mostra que, apesar de uma pequena retra\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a anos anteriores, o mercado de luxo brasileiro movimentou cerca de R$ 20,1 bilh\u00f5es em 12 meses. Mesmo com a lideran\u00e7a incontest\u00e1vel da cidade de S\u00e3o Paulo em rela\u00e7\u00e3o ao volume de neg\u00f3cios e ao consumo de alto padr\u00e3o, cidades como o Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Bras\u00edlia e Curitiba t\u00eam se tornado um foco crescente dos mais variados investimentos voltados a este p\u00fablico. Somente a capital fluminense teve um incremento de 62% nos recursos destinados para a amplia\u00e7\u00e3o ou cria\u00e7\u00e3o de novos neg\u00f3cios de alto padr\u00e3o. A demanda \u00e9 t\u00e3o significativa que em alguns casos a fila de milion\u00e1rios que aguardam por artigos sofisticados, que v\u00e3o de bolsas a jatos executivos, pode chegar a 18 meses.<\/p>\r\n<p>O Relat\u00f3rio sobre a riqueza mundial em 2012 elaborado pela Capegemini Consultoria em conjunto com a RBC Wealth Management, do Canad\u00e1, mostra que, mesmo com a crise econ\u00f4mica global, o n\u00famero de milion\u00e1rios no Brasil aumentou em 6,2%, o que confere ao pa\u00eds a condi\u00e7\u00e3o de figurar entre as 12 na\u00e7\u00f5es no mundo com o maior n\u00famero de pessoas com este perfil, amea\u00e7ando roubar o 10\u00ba lugar da It\u00e1lia, que, a exemplo de outros pa\u00edses considerados ricos, vem experimentando um decr\u00e9scimo no n\u00famero absoluto de pessoas com alt\u00edssima renda. Para fazer este levantamento a pesquisa apura e considera os indiv\u00edduos que possuem mais US$ 1 milh\u00e3o dispon\u00edvel para investir.<\/p>\r\n<p>Para o economista e ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (IPEA), Marcio Pochmann, este crescimento reflete o avan\u00e7o da economia brasileira nos \u00faltimos anos. Pochmann, que possui diversos livros publicados onde analisa quest\u00f5es como a pobreza, mobilidade social e rela\u00e7\u00f5es de trabalho, prepara para breve o lan\u00e7amento de um novo t\u00edtulo com o objetivo de analisar o perfil da riqueza no Brasil. Apresentando alguns dados preliminares, o economista lembra que, mesmo com todas as pol\u00edticas p\u00fablicas de combate \u00e0 pobreza implementadas em anos recentes, o avan\u00e7o da riqueza se deu em ritmo mais consistente e amplo do que a diminui\u00e7\u00e3o da mis\u00e9ria no pa\u00eds.<\/p>\r\n<p>\"Houve um al\u00edvio na desigualdade de renda, mas seguimos ainda com s\u00e9rios problemas nesta \u00e1rea. J\u00e1 a riqueza avan\u00e7a na esfera produtiva, diferentemente dos anos 90 quando este crescimento ocorreu a partir da financeiriza\u00e7\u00e3o. Atualmente este avan\u00e7o se d\u00e1 no setor agr\u00edcola, com as commodities, no setor industrial e fundamentalmente no setor terci\u00e1rio, com destaque para os servi\u00e7os\", aponta Pochmann. Enquanto o mercado de luxo avan\u00e7a e nas ruas dos grandes centros urbanos brasileiros s\u00edmbolos de grande riqueza tornam-se elementos cada vez mais comuns na paisagem, a crescente parcela de milion\u00e1rios brasileiros segue \u00e0 risca uma antiga receita de discri\u00e7\u00e3o: o segredo \u00e9 a alma dos neg\u00f3cios.<\/p>\r\n<p><strong>Fonte:<\/strong> <em>Valor Econ\u00f4mico<\/em><\/p>","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1214"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1214"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1214\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4024,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1214\/revisions\/4024"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1214"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1214"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sinprofaz.org.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1214"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}